
Jogador Leandro Castan, ex-Barueri, é visto durante o treino do Corinthians realizado no SPA Sport Resort, na cidade de Itu.

Primeiro duelo entre os rivais no estádio municipal ocorreu em 1940. De lá para cá, já são 139 encontros no local, que não recebe o dérbi desde 2000
Depois de dez anos, Corinthians e Palmeiras voltam a se enfrentar no Pacaembu neste domingo, às 17h, pela quinta rodada do Paulistão. Mas as lembranças do clássico no estádio municipal são bem mais antigas. São da época em que a concha acústica (que era onde agora está o tobogã) era uma modernidade, e não apenas uma simples lembrança. Afinal, a história do duelo completa nesta temporada 70 anos.
O primeiro jogo entre Timão e Verdão no local ocorreu no dia 5 de maio de 1940, ano da inauguração do Pacaembu, atualmente considerado a “casa” da equipe do Parque São Jorge. Na partida, o Palmeiras, à época ainda chamado de Palestra Itália, venceu o Corinthians por 2 a 1 e conquistou o primeiro título da história do estádio, a Taça Cidade de São Paulo (mais detalhes da partida na ficha técnica no fim da página).
Nesta temporada, o dérbi entre corintianos e palmeirenses voltará a fazer parte da rotina do Pacaembu. Não só porque será palco do duelo na primeira fase do Paulistão, mas principalmente porque as diretorias já acertaram que todos os jogos do ano entre eles serão por lá. Os dois do Campeonato Brasileiro e também caso haja um encontro entre os rivais nas semifinais ou finais do Estadual.
A última vez que Corinthians e Palmeiras se enfrentaram nesse estádio foi em 2000, pelo Torneio Rio-São Paulo. O Timão venceu por 2 a 1, com gols de Augusto e Fernando Baiano. Quem anotou o do Verdão foi Euller. O público daquela partida foi fraco: apenas 5.865 espectadores. Bem diferente do que deve ser neste domingo.
Afinal, além de valer as primeiras colocações na tabela, o clássico da quinta rodada do Paulistão é a chance de o Corinthians acabar com um jejum que já dura três anos e meio. A última vitória alvinegra sobre o rival foi em outubro de 2006, pelo segundo turno do Brasileiro.
De lá para cá, foram cinco derrotas e dois empates. Retrospecto que aumentou a vantagem do Palmeiras na história do confronto. Os clubes já se enfrentaram 331 vezes, com 120 triunfos do Alviverde, 112 do Alvinegro e 99 empates.

Se alguém duvidava da importância do clássico deste domingo, entre Corinthians e Palmeiras, às 17h, no Pacaembu, bastava passar nos arredores do Parque São Jorge na manhã deste sábado para saber o real valor do confronto. Antes mesmo do treinamento corintiano começar, por volta das 9h30, cerca de 150 torcedores esperavam nos portões para acompanhar a atividade.
Muitas faixas e algumas bandeiras foram só alguns dos acessórios levados pela torcida ao treinamento. Enquanto o técnico Mano Menezes comandava o último treino, os corintianos não paravam de cantar. Os gritos eram de incentivo. Vale lembrar que após um longo período de concentração em Itu, esse foi o primeiro treino de sábado dos atletas em São Paulo.
Mesmo com a festa dos torcedores, o elenco corintiano trabalhou sério e não teve descanso. Como faz nas vésperas das partidas, Mano Menezes fez um trabalho de bola parada defensiva e ofensiva. O time titular foi o mesmo que começou a atividade de sexta-feira, com: Felipe, Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Elias, Tcheco e Danilo, Jorge Henrique e Iarley.
Já os reservas, que não tinham goleiro, foram escalados com: Jucilei, Paulo André, Leandro Castán e Balbuena; Marcelo Mattos, Edu, Boquita e Defederico, Dentinho e Bill.
Para a partida contra o Palmeiras, o Timão tem dois desfalques. Ronaldo, com um problema na parte posterior da coxa direita, e o lateral-esquerdo Escudero, com dores no joelho esquerdo, estão descartados. Já o atacante Souza, que reclamou de dores na coxa direita no treino de sexta-feira, também deve ficar fora.

O clássico entre Corinthians e Palmeiras deste domingo terá um peso extra para dois atletas em particular. Atrapalhados por um começo de temporada instável, o goleiro Felipe e o lateral-esquerdo Pablo Armero vão para o duelo no Pacaembu forçados a recuperar o prestígio diante de suas torcidas depois de uma série de falhas no início do Paulista.
O ala colombiano vive uma situação mais complicada. Depois de ser eleito o segundo melhor lateral-esquerdo do Brasileiro do ano passado, Armero teve um começo de temporada bem diferente no Palestra Itália – abusou dos erros na marcação e virou o principal alvo das vaias dos fãs alviverdes.
A queda de rendimento do jogador ganhou evidência no último fim de semana, quando o Ituano garantiu o empate por 3 a 3 depois de marcar o último gol após falha do palmeirense.
O técnico Muricy Ramalho barrou o colombiano na rodada seguinte e não o chamou nem mesmo para ficar no banco de reservas diante do Monte Azul. Porém, como o novo titular Gabriel Silva ficará afastado por um mês devido a uma lesão muscular, Armero deve ganhar nova chance no clássico.
"Foi uma decisão técnica porque ele estava um pouco estressado e não vou interferir nisso. Foi uma decisão correta, para preservar um pouco o Armero. A torcida estava começando a implicar com ele. Mas o Gabriel foi muito bem, só que infelizmente se machucou", opinou o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, concordando com o afastamento do lateral.
O goleiro corintiano Felipe não chegou a ser afastado por Mano Menezes, mas ainda assim atravessa um começo de temporada semelhante ao do colombiano. O camisa 1 alvinegro cometeu falhas nos duelos contra Monte Azul e Mirassol, sendo decisivo negativamente nos dois empates da equipe alvinegra.
Apesar de não ter sido vaiado neste ano, Felipe já causou certa desconfiança na torcida. O técnico Mano Menezes chegou até a ser perguntado se o goleiro estaria sofrendo com a pressão pelo centenário do Corinthians, mas o treinador fez questão de defender o camisa 1.
“Não tem nada de centenário. Isso acontece no inicio de temporada”, afirmou o treinador após a falha de Felipe no gol de empate por 1 a 1 contra Mirassol da última quarta-feira.
“Houve uma indecisão que acontece no futebol. A bola poderia ser dos dois [Felipe e Balbuena], mas os dois recolheram. Na indecisão, rasga tudo. Esse é meu pensamento. Dá um bico nela para escanteio, para lateral, e acaba com a jogada. E não foi isso o que aconteceu”, completou.

O Corinthians oficializou nesta sexta-feira seu novo acordo de patrocínio com o Grupo Hypermarcas. O acordo vale de fevereiro de 2010 a março de 2012 e renderá R$ 38 milhões anuais aos cofres alvinegros. A Neo Química Genéricos ocupará o principal espaço do uniforme. Bozzano (mangas), Assim (ombro) e Avanço (axila) são as outras marcas que aparecerão na camisa.
“Receberemos R$ 38 milhões, mas o valor pode aumentar e chegar a R$ 47 milhões, somando premiações por títulos, artilharia, goleiro menos vazado, metas alcançadas e ações para a sociedade”, explicou Andres Sanchez, presidente do Corinthians. “Não é um patrocínio normal, é uma parceria que atingirá outros esportes e vai surpreender muita gente.”
Como aconteceu no ano passado, Ronaldo terá direito a uma parcela desses R$ 38 milhões. O Corinthians não revelou quanto ficará com o atacante, mas o valor se aproxima dos R$ 13 milhões. Essa cifra completa o salário milionário do camisa 9, que mensalmente atinge cerca de R$ 1 milhão.
“Foi feito um pacote com o Ronaldo e discutido claramente com ele todos os valores. Só posso dizer que ele está muito contente. Tenho certeza de que sem o Ronaldo não conseguiríamos esses valores. Essa parceria começou no ano passado e tem dado certo. Ele está satisfeito e nós também”, disse Sanchez.
Além da presença de Ronaldo, a contratação de Roberto Carlos e o centenário ajudaram o Corinthians a aumentar o valor em relação à temporada passada. Em 2009, o clube totalizou cerca de R$ 33 milhões. Na oportunidade, a Hypermarcas estampou a Bozzano nas mangas e o Avanço nas axilas.
O Corinthians ainda negocia a cota de patrocínio da barra da camisa. A Hypermarcas é uma das interessadas, mas outra empresa pode levar a melhor. “Temos mais R$ 10 ou R$ 12 milhões para vender. Estamos revendo alguns pontos e tentando fazer a Hypermarcas ficar com todos os espaços”, argumentou Sanchez.
A expectativa do clube é ter uma receita total em 2010 de R$ 160 milhões, somando patrocínio, arrecadação, direitos de transmissão venda de produtos oficiais e licenciamento, entre outras receitas. “Até o fim de 2011 essa dívida antiga que hoje já baixou dos R$ 100 milhões estará liquidada”, projetou o presidente corintiano.
A falta de luz no Parque São Jorge na semana passada virou motivo de piada. Depois de a Eletropaulo informar que a falta de energia se deu por falta de pagamento, a diretoria do Corinthians negou o problema financeiro. E nesta sexta-feira, Andres Sanchez usou o bom humor para tratar o tema.
“Já que estamos na moda de economia de energia, 2h15 sem energia já serve para ajudar o país. Se todo mundo ficasse uma hora sem luz já ajudaria bastante”, disse o presidente corintiano, arrancando gargalhadas.
Mais sério e até um pouco irritado, Andres negou que o Corinthians tenha deixado de pagar a conta de cerca de R$ 170 mil. “Quero ver alguém provar isso. Até poderia ter acontecido, alguém poderia ter cometido algum erro interno, mas isso não aconteceu.”

O lateral esquerdo Roberto Carlos evita falar sobre o seu passado no Palmeiras desde que ficou próximo de acertar com o Corinthians. Dias antes de reencontrar o ex-clube, agora como adversário, o veterano ganhou o auxílio do técnico Mano Menezes para minimizar a passagem pelo rival.
"Nesse momento, enfrentar o Palmeiras é apenas uma coincidência para o Roberto Carlos. Será mais um adversário que ele tentará vencer na carreira", comentou o comandante corintiano. "Ele está bem tranquilo, trabalhando como se deve", garantiu.
Roberto Carlos estreou pelo Corinthians na vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino. Também esteve em campo no resultado positivo conquistado diante do Oeste, pelo mesmo placar, mas foi poupado no empate por 1 a 1 com o Mirassol.
"As reações do Roberto já estão sendo muito favoráveis. Não temos mais preocupação com a parte física dele. Ele pode fazer uma sequência normal de jogos", respaldou Mano Menezes, que promove um rodízio na equipe titular do Corinthians no início da temporada.
Em suas duas primeiras partidas como corintiano, Roberto Carlos apoiou pouco o ataque. Disse que preferia compor a defesa enquanto ainda se sentia fora da forma física ideal e com pouco entrosamento com o restante do time. A expectativa dos torcedores é de que o lateral esquerdo se solte mais no clássico contra o Palmeiras.
