Não há dúvida de que a partida da noite desta quarta-feira contra o Santos, que pode colocar o Corinthians a dois jogos
do título da Copa Libertadores, merecerá destaque na memória do clube,
principalmente se o time realmente avançar à decisão. Mas, para o
jornalista Celso Unzelte, não será do modo como pensa Tite, que já vê o
jogo como o maior da história.
"Um clube que já venceu Mundial
não pode considerar semifinal de Libertadores como o maior de sua
história. Ainda que considere, esse jogo empataria com o de 2000 contra o
Palmeiras, em que o Marcos defendeu pênalti do Marcelinho Carioca. Era
circunstância igual a essa, de semifinal de Libertadores", diz o
pesquisador e autor do Almanaque do Corinthians.
O maior jogo na opinião de Unzelte é a final do Campeonato Paulista de 1977. O time
derrotou a Ponte Preta por 1 a 0, com gol de Basílio, e pôs fim a jejum
de 22 anos, oito meses e seis dias sem levantar um troféu. Essa partida
poderia perder o primeiro posto nos quase 102 anos de história, segundo
ele, apenas para uma decisão de Libertadores vencida.
"Isso
de 'qual o maior jogo da história' varia muito de acordo com a época.
Se pegar editorial da Revista Placar de 74, o Juca Kfouri diz que aquela
final (de Paulista) contra o Palmeiras seria o maior jogo da história
do Corinthians. Em 2000, muita gente considerava o jogo contra o Vasco,
pela final do Mundial, como o maior. O desta quarta-feira não é maior em
nenhum sentido, nem em comoção", argumenta.
O pesquisador
questiona inclusive se este será o maior confronto entre Corinthians e
Santos. "Pode ser, porque o máximo que eles haviam disputado era uma
final de Campeonato Brasileiro (em 2002, vencida pelo Santos e marcada
pela pedalada do santista Robinho à frente de Rogério). Mas antes tem o
jogo de 68, que quebrou tabu (de 11 anos sem vitória corintiana sobre o
Santos em Paulista), com Pelé, com Edu, com tudo o que marcou. Se agora
chegar à decisão jogando bem, eliminando bem, pode desbancar", avalia o
escritor de livros também sobre o Santos, em conjunto com o igualmente
pesquisador Odir Cunha.
Os dois rivais alvinegros sobem ao gramado
às 21h50 (de Brasília) desta quarta-feira, no Pacaembu. Como venceu o
jogo de ida por 1 a 0, na Vila Belmiro, o Corinthians pode até empatar
para disputar a taça contra o vencedor do confronto entre Boca
Juniors-ARG e Universidad de Chile e chegar mais longe do que a geração
de 2000, eliminada pelo Palmeiras na semifinal.
"Em qualidade,
esse time atual não supera. Talvez no modo de jogar, nessa nova
concepção de futebol, com mais jogo coletivo. Mas não em número de
craques. Aquela equipe tinha um meio-campo com Rincón, Vampeta,
Marcelinho, Ricardinho. O Kleber na lateral esquerda... Era um senhor
time de futebol. Talvez a maior ou candidata a ser a maior da história.
Mas essa pode chegar mais longe. É mais ou menos como a comparação entre
a Seleção Brasileira de 82 e a de 94, que acabou chegando mais longe e
foi campeã mundial", opina Unzelte.
Fonte: Gazeta Esportiva

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