Poucas vezes o continente americano foi tão verde e amarelo como em 2012, e certamente nunca tão paulista, já que o ano terminou com o Corinthians campeão da Taça Libertadores e Mundial, com o São Paulo levantando o troféu da Copa Sul-Americana e o Santos conquistando a Recopa.
Para o Alvinegro do Parque São Jorge, 2012 entra para a história como seu ano mais glorioso, no qual as piadinhas quanto à ausência de títulos internacionais foram encerradas. Campeão brasileiro em 2011, o clube entrou direto na fase de grupos da Libertadores. Em chave tranquila, saiu invicto com a segunda melhor campanha da competição, deixando para trás Cruz Azul (México), Nacional (Paraguai) e Deportivo Táchira (Venezuela).
Nas oitavas de final o 'Timão' viu o surgimento de um herói, o goleiro Cássio. Contratado no início do ano para ser reserva de Júlio César, o ex-Grêmio e PSV Eindhoven, foi fundamental no empate sem gols contra o Emelec, no Equador. A vitória por 3 a 0, no Pacaembu, selou a classificação do time paulista.
Vieram as quartas de final e o duelo contra o Vasco, talvez o mais duro para os corinthianos na caminhada rumo ao título. No Rio, mais um empate sem gols. Em São Paulo, vitória dramática com gol de Paulinho aos 42 minutos do segundo tempo, poucos instantes depois de uma milagrosa defesa de Cássio em finalização de Diego Souza.
Nas semifinais foi a vez de outro grande desafio, o então dono da América, o Santos. No caldeirão da Vila Belmiro, o Corinthians arrancou uma vitória por 1 a 0, e na capital paulista bastou um empate em 1 a 1, que carimbou o passaporte para sua primeira decisão da Libertadores.
A final colocaria frente a frente o Corinthians contra o segundo maior campeão do torneio, o Boca Juniors. A primeira partida aconteceria em La Bombonera. E o time brasileiro não tremeu. Saiu atrás no placar, mas buscou empate aos 39 da etapa final, com Romarinho. Na partida da volta, no Pacaembu, jogo tenso, tumultuado, ideal para o 'cascudo' Emerson, que não caiu na catimba argentina, marcou duas vezes e selou a conquista inédita.
O título da Libertadores colocou o Timão no Campeonato Mundial, disputado em dezembro, no Japão. O grande rival seria o Chelsea, campeão da Liga dos Campeões. Antes, contudo, a equipe precisou passar pelo Al Ahly, do Egito, e o fez com um magro 1 a 0, gol de Paolo Guerrero.
Na decisão, enfrentou os 'Blues', que nas semifinais haviam batido o Monterrey, do México. Impecável taticamente, o time do técnico Tite contou com atuação inspirada de Cássio, que fez pelo menos três defesas espetaculares. Aos 24 minutos da etapa final, em trama que teve a participação de Paulinho e Danilo, Guerrero voltou a marcar, e consagrou de vez o ano corinthiano, que teve direito a "invasão" da torcida no Japão.
Quatro dias antes do título do maior rival, quem levantou taça foi o São Paulo, campeão da Copa Sul-Americana, que teve uma final inusitada, de apenas um tempo. No Morumbi, depois de empate em 0 a 0 em La Bombonera, o São Paulo precisou de 45 minutos para fazer 2 a 0 no Tigre, com Lucas e Osvaldo.
Durante o intervalo, um tumulto envolvendo jogadores e comissão técnica do time argentino, seguranças do Morumbi e Polícia Militar, terminou com os argentinos alegando terem sido agredidos e não se sentido seguros para completar o duelo. O árbitro Enrique Osses deu o jogo por encerrado, com vitória e título, também inédito, para o Tricolor do Morumbi.
A partida marcou também a despedida de Lucas da equipe, já que o jogador foi negociado no meio do ano com o Paris Saint-Germain, da França, clube que defenderá a partir de janeiro de 2013.
Na campanha da Sul-Americana, o São Paulo eliminou Bahia, LDU de Loja, do Equador, Universidad do Chile, e Universidad Católica, também do Chile. A conquista fez o clube quebrar um jejum de quatro anos sem títulos, que vinha desde o Campeonato Brasileiro de 2008.
O Santos foi o brasileiro que precisou de menos jogos para levantar um troféu - dois ao todo -, o da Recopa. Na primeira partida contra o Universidad do Chile, campeão da Sul-Americana de 2011, um empate sem gols em Santiago. No jogo de volta, 2 a 0 para o campeão da Libertadores de 2011, com gols de Neymar e Bruno Rodrigo. Assim como Corinthians e São Paulo, a conquista foi inédita para o 'Alvinegro Praiano'.
No Brasil, quem mandou foi o Fluminense, campeão brasileiro de forma incontestável, com larga vantagem sobre Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo, demais classificados para a Libertadores 2013. Outro campeão nacional foi o Palmeiras, que levantou o caneco da Copa do Brasil. No Brasileirão, no entanto, o 'Alviverde' amargou o rebaixamento para a segunda divisão.
Já na Argentina, o primeiro semestre teve um campeão inédito, o Arsenal de Sarandí, que conquistou o Torneio Clausura. O período também marcou o retorno à elite de um gigante, o River Plate, vencedor da segunda divisão. No meio do ano, o Campeonato Argentino foi remodelado e dividido em Torneios Inicial e Final, com os vencedores de cada um duelando pelo título nacional. O primeiro campeão do Inicial foi o Vélez Sarsfield.
No vizinho Uruguai, o primeiro semestre foi de definição da temporada 2011/2012. O Defensor Sporting, ao conquistar o Clausura decidiu o título nacional contra o Nacional, vencedor do Apertura, que acabou ficando com a taça. No segundo semestre, quem comemorou foi o Peñarol, que voltou a conquistar um troféu depois de quase três anos.
O Chile, por sua vez, começou a ver o enfraquecimento do 'La U', campeão do Apertura no primeiro semestre. Em agosto, a equipe ainda disputou a Copa Suruga Bank, contra o Kashima Antlers, campeão da Copa da Liga Japonesa, e perdeu nos pênaltis. No segundo semestre, não foi além das quartas de final e viu o Huachipato conquistar o Campeonato Chileno pela segunda vez em sua história.
Entre os países nos quais o campeonato nacional consiste em dois torneios, o único a vencer ambos em 2012 foi o The Strongest, campeão do Apertura e do Clausura do Boliviano. Na Colômbia, os campeões foram Santa Fé e Millonarios; no Paraguai, Cerro Porteño e Libertad; na Venezuela, Deportivo Lara e Deportivo Anzoatégui. Além disso, o Barcelona conquistou o Campeonato Equatoriano, e o Sporting Cristal venceu o Peruano.
No México, o primeiro semestre marcou o quarto título nacional da história do Santos Laguna, campeão do Clausura. Em seguida veio a inédita conquista do Tijuana, no Apertura, feito inédito na história do clube fundado em 2007. Outro clube que teve motivos para comemorar no país foi o Monterrey, bicampeão da Liga dos Campeões da Concacaf.
Fonte: Terra
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27 dezembro 2012
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