O ex-jogador e hoje comentarista e apresentador de TV surgiu como profissional em Campinas, atuando pelo Guarani, em 1984, e foi apontado como promessa de vir a se tornar um grande craque do futebol brasileiro. Após passagens sem muito brilho por Bangu-RJ e São Paulo-SP, retornou ao Bugre em 1988 para se consolidar como um atleta pronto para saltar para às potências do futebol no país, mas sua segunda experiência com times considerados “grandes” não atendeu à expectativa.
Em 1989, Neto foi contratado pelo Palmeiras, arqui-rival do Corinthians, mas pelo fraco desempenho dele vestido de verde e pela consequente chegada ao clube do Parque São Jorge, trocado com Denys por Dida e Ribamar, podemos afirmar que o meia estava destinado a brilhar com a camisa alvinegra.
Surge o xodó
Em 1990, o Corinthians já era um dos times mais importantes do país, e já contava com uma das maiores e mais temidas torcidas do futebol do Brasil, mas apesar de quase 20 anos de disputa de Campeonatos Brasileiros – com este nome, e mais de 30 anos, considerando a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, reconhecidos em 2010 pela CBF como equivalentes ao Brasileirão –, ainda não tinha levantado nenhum título nacional e, pelo elenco com que entrou na disputa daquele ano, não se considerava como um dos favoritos.
Os maiores destaques daquele time eram o goleiro Ronaldo, o zagueiro Marcelo Djian, além de Tupãzinho, Wilson Mano e do próprio Neto, que assumiria a mítica camisa 10 corintiana. Com a classificação obtida apenas ao final da primeira fase, ficando na sétima posição, o Corinthians enfrentaria o segundo colocado na classificação, o Atlético-MG.
Marcando dois gols em 10 minutos, na partida de ida no Pacaembu, Neto virou o jogo para o Corinthians no segundo tempo e a vitória por 2 a 1 foi suficiente para classificar a equipe, após o 0 a 0 do jogo de volta. Na semi-final, contra o então poderoso Bahia, um gol de falta de Neto sacramentou um triunfo novamente por 2 a 1, que valeu a vantagem e a vaga à decisão após novo 0 a 0 em partida de volta, na Fonte Nova. Era o Timão na decisão do Brasileiro.
O adversário seria o São Paulo, de Telê Santana, por onde Neto havia passado sem destaque. Os deuses da bola o haviam reservado para brilhar para a fiel. Com uma assistência para Wilson Mano no primeiro jogo e atuando como líder do time na volta, o camisa 10 conduziu o Timão a dois placares de 1 a 0 e deixou o Tricolor com o gosto amargo do vice. Nascia ali o “xodó da fiel”, como Neto ficou conhecido.
Craque polêmico
Conhecido atualmente como um profissional da mídia esportiva que defende opiniões fortes – e nem sempre imparciais – Neto teve uma carreira cheia de momentos polêmicos. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu durante uma partida dele pelo Corinthians contra o Palmeiras, válida pelo Campeonato Paulista de 1991. Após fazer uma falta dura e receber o cartão vermelho, o camisa 10 alvinegro reagiu com uma cusparada no rosto do árbitro José Aparecido de Oliveira.
Outras situações marcaram a trajetória do ídolo pelo futebol. Em sua passagem pelo Palmeiras, por exemplo, o então técnico Emerson Leão o afastou dos treinamentos por um período, alegando falta de condicionamento físico, porque Neto estaria acima do peso.
Uma polêmica que acompanha Neto até hoje quando se fala de Copa do Mundo é, curiosamente, a sua não participação. Na época da convocação para o Mundial de 1990, era dado como certo que o meia seria um dos nomes chamados pelo técnico Sebastião Lazaroni, mas ele não foi chamado, e ironiza a decisão do comandante até os dias de hoje.
Fim de carreira “nômade”
Tendo vencido também a Supercopa do Brasil de 1991 pelo Timão, Neto saiu em 1993 após a perda do título paulista para o Palmeiras, que tirou o clube alviverde da fila. Em seguida, Neto defendeu diversas equipes, sempre com desempenhos abaixo do esperado. Só entre 93 e 95, foram 6 clubes: Millonarios-COL, Atlético-MG, Santos, Matsubara, Guarani e Araçatuba, até retornar ao Corinthians em 1996. A volta não foi tão bem-sucedida, por conta das constantes brigas com a balança e contra uma lesão crônica no tornozelo, e apesar do título paulista de 1997, sobre o São Paulo, Neto era apenas um reserva de luxo.
Após deixar o Parque São Jorge pela segunda vez, ele ainda atuou até 1999, por Indaiatuba, Paulista e Deportivo Itália-VEN, se aposentando do futebol profissional aos 33 anos.
Fonte: Esporte Interativo

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