Ele entrou já no finzinho. Na primeira bola, dominou e bateu para o goleiro salvar. Na segunda, cabeceou para o goleiro tirar com o pé. Na terceira, Pato livrou-se de dois, limpou o goleiro e emplacou a goleada por 4 a 0 sobre a Ponte, num jogo que se prenunciava difícil, mas que o Timão acabou levando na flauta.
Sim, é verdade, a Macaca apertou nos primeiros 20 minutos de jogo. Mas foi só. De resto, deu Corinthians sem muito esforço nem brilho.
Mais tarde, o São Paulo, todo de vermelho, simbolizando a raça que lhe faltou durante o primeiro tempo, penou diante da retranca do Penapolense. Aliás, quase se enrosca no início do segundo, quando o adversário criou duas boas chances, conjuradas por Rogério.
Mas, depois da entrada de Douglas, o Tricolor ficou um pouco mais animado, Luís Fabiano meteu duas na trave e Osvaldo, em bela jogada, cruzou para Jailton tocar contra: 1 a 0, ufa! E Rogério salvou a pátria pouco antes de Osvaldo e Luís Fabiano perderem dois gols feitos.
Enfim, um clássico majestoso — São Paulo x Corinthians — nas semifinais desse Paulistinha chinfrim.
Sapo ou Peixe?/ Bem, se medirmos pelos resultados de sábado, dá Mogi na semifinal contra o Santos. Afinal, o Sapão massacrou o Botafogo em casa — 6 a 0 —, enquanto o Peixe passava nos pênaltis pelo Palmeiras, depois do 1 a 1 no tempo regulamentar. Mas nada disso é medida para um jogo só e decisivo.
É verdade que o Santos, embora dominado pelo Palmeiras no segundo tempo, criou as melhores chances para ampliar antes de sofrer o gol de Kléber no finzinho — todas nos pés de Neymar. Gols que o menino faria como quem toma um copo d’água em dias melhores.
Mas Neymar está na mira daqueles que o querem fora do Brasil, para o bem ou para o mal. Para o bem, os que acham que lá fora ele vai aprender a marcar mais do que as bolas roubadas na defesa. Para o mal, os que querem salvar os anéis do Santos e da empresa que detém parte de seus direitos financeiros.
A bola, porém, está com o menino. Ele que a leve para o caminho que melhor lhe convier e não nos poupe da diversão de vê-lo em campo sempre. Aqui ou lá fora.
Dos tempos das cavernas/ Anos atrás, quando perguntado sobre o tal futebol espetáculo, ou a arte de jogar bonito, Felipão foi sarcástico e definitivo: “Isso é coisa dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça”.
Traduzindo: um tempo de pura ingenuidade, incompatível, claro, com a época de pura esperteza que vivemos. Coisa do passado.
Pois o futebol que o Brasil de Felipão apresentou semana passada diante do Chile é anterior a essa época da inocência. É dos tempos das cavernas, quando pessoas se comunicavam por grunhidos.
Sem o mínimo de comunicação entre os três setores do time, o Brasil acabou se transformando num bando desarvorado de caçadores do impossível, vítima fácil da equipe B do Chile, muito mais organizada taticamente em campo.
Sim, claro, não era nosso time titular (ou, pelo menos, os melhores disponíveis no mundo). Um time sem conjunto por falta de treinamento adequado e tal e cousa e lousa e maripousa e com seus principais jogadores (Neymar, Ronaldinho, etc.) rendendo muito menos do que sabem e podem.
Assim como, obviamente, nem será essa formação que colocaremos em campo na Copa das Confederações. E como até lá haverá um período de tempo mínimo para a turma se entrosar, tudo indica que faremos melhor figura.
Mas, pelas ideias do treinador, certamente não avançaremos até os tempos atuais, onde o melhor futebol do mundo, como provam Barça, Bayern, Borussia e Real, sem falar nos ingleses que ficaram fora das semifinais da Liga dos Campeões, é jogado sem amarras nem preconceitos, como o cachorro que comeu as linguiças e saiu, livre e solto, por aí fazendo suas espertas travessuras.
Na linha do gol
Bem, depois da blitzkrieg que os alemães encetaram sobre os dois bastiões da Espanha, tudo faz crer que Bayern e Borussia Dortmund disputarão a taça da Europa no sempre sagrado templo de Wembley, ainda que renovado.
Mas atenção: nem Real, muito menos Barça, estão já definitivamente sepultados na Liga dos Campeões. A diferença é enorme, mas vai que Messi se recupere e Cristiano Ronaldo desembeste... Afinal, esses dois espanhóis, se foram vítimas de goleadas históricas, são bem capazes de replicar com igual força em casa.
O Bayern, porém, tem sido implacável. Futebol eficiente, rápido, sob o comando de Schweinsteiger, um meia por excelência, com um volante (Javi Martínez ou Luiz Gustavo), dois laterais ofensivos e técnicos (Lahm e Alaba), dois artistas da bola (Robben e Ribéry) e um centroavante goleador, seja Mandzukic, Mario Gomez ou o veterano Pizarro.
Ganhou mais solidez na zaga com a efetivação do brasileiro Dante e tem em Neuer um goleiro excelente. Não vai ser fácil para esse Barça com problemas na zaga, sobretudo pela ausência de Puyol, e fragilizado no meio e ataque pelas condições de Xavi e Messi. Isso sem falar na falta de um goleador emérito, já que Villa não voltou a ser o mesmo.
Já o Real Madrid tem um pouco mais de chance diante de um Borussia um tanto hesitante na defesa. Mas terá de segurar aquele trio de atacantes de escol — Gotze, Reuss e Lewandowski —, além de neutralizar a armação do turco Gundogan, incansável cérebro do time.
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29 abril 2013
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