Apesar de nunca ter sido unanimidade entre os torcedores, Mano Menezes começava a dar um padrão tático ao time e parecia ter encontrado os 11 melhores jogadores visando a Copa do Mundo de 2014. No entanto, uma atitude inesperada do presidente da CBF, José Maria Marin, pode ter colocado o sonho de conquistar o hexacampeonato em casa a perder.
A "estreia" da seleção no ano de 2012 aconteceu no dia 28 de fevereiro em um amistoso realizado com a Bósnia-Herzegovina. Mesmo diante de um adversário bastante fraco, os comandados de Mano Menezes não conseguiram imprimir um bom ritmo de jogo e venceram de maneira suada, por 2 a 1.
O treinador sempre deixou claro que aproveitaria os jogos no primeiro semestre para definir a seleção que buscaria o ouro inédito nas Olimpíadas de Londres.
Em maio, a Seleção Brasileira venceu a Dinamarca, por 3 a 1, sendo dois gols marcados pelo atacante Hulk, que mesmo contestado por muitos começou a ganhar vaga entre os titulares e praticamente cravou seu nome como um dos três jogadores maiores de 23 anos que poderiam ser convocados para os Jogos Olímpicos. Na sequência, mais uma vitória, dessa vez sobre os Estados Unidos, por 4 a 2.
A primeira derrota no ano viria no dia 3 de julho. O Brasil encontrou muitas dificuldades para furar o bom sistema defensivo mexicano e acabou perdendo por 2 a 0. O resultado fez o time entrar em campo pressionado no amistoso diante da Argentina.
E foi justamente nessa partida que Mano Menezes definiu quem seriam os convocados para defender o país nas Olimpíadas. Apesar da derrota por 4 a 3, a seleção teve uma de suas melhores apresentações depois da eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010 para a Holanda, ainda na Era Dunga. O último amistoso antes da participação em Londres foi contra a Grã Bretanha e que terminou com vitória brasileira por 2 a 0. A base que iria em busca do título inédito já estava formada e agora o foco total era em Londres.
Olimpíadas
A lista dos 18 convocados foi divulgada por Mano Menezes no dia 5 de julho em uma coletiva de imprensa realizada no hotel Sheraton, no Rio de Janeiro. Os jogadores acima dos 23 anos foram o zagueiro e capitão Thiago Silva, o lateral-esquerdo Marcelo e o atacante Hulk. Além deles, representaram o Brasil em Londres: os goleiros Neto e Renan, os laterais Alex Sandro, Danilo e Rafael, os zagueiros Bruno Uvini e Juan, os meias Rômulo, Sandro, Paulo Henrique Ganso, Lucas e Oscar, e os atacantes Alexandre Pato, Leandro Damião e Neymar.
A estreia nas Olimpíadas aconteceu no dia 26 de julho e a Seleção Brasileira deixou o campo com uma vitória apertada sobre o Egito, por 3 a 2. Depois, os comandados de Mano Menezes ainda venceriam Bielorrússia e Nova Zelândia, terminando a fase classificatória na liderança do Grupo C, com nove pontos e 100% de aproveitamento. Mesmo assim, as apresentações ainda deixavam os torcedores com um pé atrás e isso continuou nas quartas de final, com uma vitória apertada sobre Honduras, por 3 a 2.
Na semifinal, a seleção enfrentou a fraca Coréia do Sul e goleou por 3 a 0, chegando na final diante do México como favorita ao ouro olímpico. No entanto, o adversário abriu o placar aos 29 segundos de jogo e depois ampliaram na etapa final, complicando a situação dos brasileiros, que diminuíram nos minutos finais, mas terminaram com a prata. O vexame em Londres aumentou a pressão diante de Mano Menezes, tanto que seu futuro passou a ser colocado em xeque.
Mais amistosos e Superclássico das Américas
Apesar de todos os boatos, Mano Menezes continuou no comando da Seleção Brasileira, mas a moral com a torcida, que já não era boa, ficou ainda pior e isso pôde ser constatado no amistoso contra a África do Sul, realizado no dia 7 de setembro. Antes, os brasileiros haviam vencido a Suécia, por 3 a 0. Quem compareceu ao Morumbi para acompanhar a partida diante dos africanos foi para protestar, tanto que durante quase todos os 90 minutos o que mais foi ouvido dentro de campo foram vaias, pedidos de saída de Mano Menezes e a contratação de Luiz Felipe Scolari, que havia acabado de ser demitido do Palmeiras. Apresentando um futebol feio, o Brasil venceu por 1 a 0 e deixou o campo sob protestos.
Para ganhar moral com os torcedores, a CBF marcou amistosos ainda mais fáceis. No dia 10 de setembro, a seleção goleou a China por 8 a 0, em Recife, levando os torcedores ao delírio. Depois, veio um novo "chocolate", dessa vez diante do Iraque, por 6 a 0. Os japoneses também foram vítimas de Neymar e Cia., sendo derrotados por 4 a 0. O último amistoso do ano foi contra a Colômbia, no milésimo jogo da história da Seleção Brasileira, e o desempenho foi abaixo do esperado: empate em 1 a 1. Mesmo diante de adversários fracos, o Brasil começava a mostrar melhoras, principalmente com a chegada de Kaká, que passou a dividir a responsabilidade com Neymar.
Assim, apenas uma posição ou outra era constestada por torcedores e imprensa, mas a base que poderia disputar a Copa do Mundo de 2014 estava praticamente formada, com: Diego Alves; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Ramires, Paulinho e Kaká; Oscar, Hulk e Neymar. Devido as suas exibições no Campeonato Brasileiro pelo Fluminense, o goleiro Diego Cavalieri era pedido por muitos, tanto que foi convocado para o Superclássico das Américas.
E foi justamente no Superclássico que Mano Menezes fez sua despedida. A competição é organizada pela Conmebol e disputada entre Brasil e Argentina, em partidas de ida e volta. As duas seleções só podem convocar jogadores que atuam nos seis países de origem. Em Goiânia, vitória brasileira por 2 a 1, com um gol marcado por Neymar nos acréscimos do segundo tempo. Na partida de volta, realizada em Buenos Aires, vitória argentina pelo mesmo placar, levando a decisão para os pênaltis. Thiago Neves, Jean, Fred e Neymar converteram e garantiram o bicampeonato.
Mano Menezes, Felipão e Andrés Sanches
Com o título do Superclássico das Américas e a base do Mundial de 2014 montada, ninguém poderia esperar a demissão de Mano Menezes, o que foi acontecer de forma surpreendente no dia 23 de novembro. Depois de uma reunião realizada na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), José Maria Marin anunciou a mudança na comissão técnica. No entanto, o presidente da CBF não explicou muito o que teria levado a queda de Mano, já que semanas antes ele havia prometido a manutenção do treinador no cargo.
"O passado é passado. Agora temos que pensar sobre o futuro. Este é o momento para se analisar que perfil seria o adequado sobre quem poderia assumir a seleção", se limitou a dizer Marin durante um evento realizado no Rio de Janeiro.
A queda de Mano Menezes também levou a saída do até então diretor de seleções, Andrés Sanches. Único a bancar a permanência do treinador, o ex-presidente do Corinthians se sentiu bastante desconfortável com a situação e uma semana depois pediu para sair. Assim, o cargo foi extinto pela CBF. "Não conversei com o presidente, mas a tendência é eu sair. Eu estava satisfeito, mas depois dos últimos acontecimentos não estou mais. Eles querem colocar gente da confiança deles", disse Sanches dois dias antes de ter sua saída anunciada.
Com a saída de Mano Menezes, a imprensa passou a especular diversos nomes para assumir o comando da Seleção Brasileira, como os de Muricy Ramalho, Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Tite e até mesmo o espanhol Josep Guardiola. E era justamente o último nome que mais agradava os brasileiros, que sonhavam em ver na seleção o mesmo futebol praticado pelo Barcelona, considerado o melhor time do mundo atualmente. No entanto, José Maria Marin jogou um balde de água fria e disse que não contrataria um treinador estrangeiro.
E foi no dia 29 de novembro que a CBF anunciou quem seria o treinador responsável por comandar a seleção até a Copa do Mundo de 2014. Vivendo o pior momento de sua carreira e contestado por muitos, Luiz Felipe Scolari aceitou assumir o cargo dez anos depois de conquistar o pentacampeonato em 2002. Além dele, o experiente Carlos Alberto Parreira foi contratado para ser o coordenador de seleções, ou seja, o braço direito de Felipão nesta árdua caminhada.
"Nós temos a obrigação sim de ganharmos o título, porque jogamos em casa. Não fazemos a Copa para ser terceiro ou quarto colocado. Temos grande equipe, bons jogadores, pretendemos ter um grupo entrosado. Seria pior não classificar para a Copa de 2002 que não ganhar a Copa. Nosso projeto de mundial começa forte. Esse é o grande objetivo. Hoje não somos favoritos, mas pretendemos ser no ano que vem", afirmou Felipão em sua apresentação.
Ranking Fifa
O momento ruim e conturbado vivido pela Seleção Brasileira ao longo de 2012 pôde ser constatado no ranking divulgado pela Fifa no dia 19 de dezembro. Sem disputar as Eliminatórias da Copa do Mundo - já tem vaga garantida por ser país-sede - e não indo bem nas competições mais importantes que disputou, o Brasil terminou em 18º lugar, amargando sua pior posição na história desta listagem, criada pela entidade que controla o futebol mundial em 1993.
Até antes desta atualização, a pior colocação do Brasil era o 14.º lugar no qual figurou em outubro passado. E essa nova queda expressiva no ranking se deve ao fato de que a seleção não venceu os dois últimos jogos que disputou, em novembro.
Primeiro empatou por 1 a 1 com a Colômbia, em amistoso em Nova Jersey, e depois perdeu da Argentina por 2 a 1 no segundo jogo da final do Superclássico das Américas, em Buenos Aires - embora a equipe dirigida então por Mano Menezes tenha levado o título desta disputa nos pênaltis, a Fifa só reconhece o resultado do tempo regulamentar.
Fonte: Futebol Interior

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