Outra postagens

02 novembro 2012

Possível rival do Timão tenta superar crise política para levar título na África

Torcedores do Al-Ahly participaram ativamente da revolução no Egito

Torcedores do Al-Ahly participaram ativamente da revolução no Egito
Crédito da imagem: Reuters
Pouco mais de nove meses após a tragédia em Port Said, que deixou 74 pessoas mortas num jogo pelo Campeonato Egípcio, o Al-Ahly tem a chance de dar a volta por cima no futebol. Neste domingo, a equipe faz, em casa, a primeira partida da decisão da Liga dos Campeões da África, contra o Espérance de Tunis, e pode chegar a seu sétimo título na competição - o clube, considerado o mais importante do continente, já é o recordista de canecos do torneio.

O troféu, aliás, dá uma vaga no Mundial de Clubes da Fifa, marcado para dezembro, onde o vencedor pode encarar clubes poderosos como Corinthians e Chelsea. Caso os egípcios conquistem o título, confirmarão uma recuperação impressionante, superando problemas em um conturbado ambiente político, envolvendo disputas entre seus torcedores, a diretoria e o novo governo local que culminaram na paralisação do futebol no país.

Egito e Tunísia, lar do Espérance, estiveram no centro da série de revoluções que ficou conhecida como Primavera Árabe, iniciada no fim de 2010, que resultou no fim de governos autocráticos nestes países e também na Líbia. Como não podia deixar de ser, estas mudanças tiveram reflexos também no esporte.

No primeiro jogo da decisão, aliás, a expectativa é de um ambiente tenso. Um grupo de torcedores do Al-Ahly, conhecido como Ultras Ahlawy, foi um dos mais ativos nos protestos que culminaram na deposição do presidente Hosni Mubarak. Grande parte das vítimas da tragédia em Port Said, no duelo contra o Al-Masry, pertencia a esta torcida, que promete organizar novas manifestações durante a partida deste domingo. Para tentar evitar maiores complicações, o governo egípcio limitou a entrada de apenas 15 mil pessoas no estádio Borg El Arab.

Al-Ahly sofre com conflito entre torcida e governo

O clima no país é tão complicado que o atacante brasileiro Fábio Júnior, que estava no jogo em Port Said, resolveu deixar o Al-Ahly no mês passado. Além de um problema de relacionamento com o treinador, Hossam El-Badry, ele citou a instabilidade em Cairo, capital egípcia, como um dos motivos para rescindir o contrato.

- Eu saía para o treino e deixava minha família em casa, mas eles tinham medo de sair, só saíam comigo. Além disso, não se sabe quando a liga nacional vai começar. A torcida disse que se retomarem os jogos eles vão fazer alguma coisa violenta - contou o jogador ao globoesporte.com.

O futebol no Egito está parado desde os incidentes em Port Said. A edição 2011/2012 do campeonato nacional foi cancelada logo após a tragédia, enquanto a nova temporada, que se iniciaria em outubro, foi adiada por causa dos seguidos protestos dos Ultras Ahlawy, que querem que os responsáveis pela matança sejam condenados antes que o torneio possa ser iniciado. Segundo Fábio Júnior, a paixão da torcida não deve ser desprezada.

- A pressão no Al-Ahly é muito pior. Os caras são mais fanáticos do que os torcedores do Flamengo, do Benfica. Eles não têm limites, fazem tudo pelo clube.

Craque do time se rebela

Em meio à polêmica, os torcedores ganharam um apoio importante. O meia Mohamed Aboutrika, grande ídolo do Al-Ahly, se recusou a disputar a partida contra o ENPPI, válida pela Supercopa do Egito, em setembro, mostrando-se solidário aos protestos dos fãs. Como consequência, foi multado pelo clube e suspenso por dois meses - só deve voltar ao time no segundo jogo da final, isso se for reintegrado. Seu exemplo, porém, não passou despercebido.

- As ações de Aboutrika foram importantes, porque romperam com a maioria dos jogadores e dirigentes, que optaram por não se envolver nos protestos. O relacionamento dele com o clube ficou arranhado desde o incidente em Port Said. Mas, assim que voltar da suspensão, será ainda mais aclamado pelos torcedores - disse o jornalista inglês James Dorsey, especialista no futebol árabe.

A diferença entre clube e torcida no tratamento dispensado a Aboutrika mostra outro dilema. Os principais dirigentes do clube ainda são ligados a Mubarak, enquanto a torcida é ligada ao novo governo. As consequências deste paradoxo são financeiras.

- Depois que o novo governo assumiu, o clube ficou sem dinheiro, atrasou três meses de salário. Antes, era muito rico, gastava bastante. A mudança na política afetou tudo - disse Fábio Júnior.

Apesar de tudo, o Al-Ahly conseguiu chegar à final. Mesmo atuando em portões fechados e sem ter partidas dos torneios locais, o time superou a falta de ritmo e ficou em primeiro lugar em seu grupo, classificando-se para as semifinais, onde eliminou o Sunshine Stars, da Nigéria, com direito a protestos dos torcedores nas ruas de Cairo no dia da partida em casa.

Do outro lado, rival vive dias mais tranquilos

Diante de tantos problemas no Al-Ahly, a situação do Espérance parece um paraíso. Clube mais popular da Tunísia, o 'Sangue e Ouro', como é conhecido o time, sempre foi cortejado pelo governo local. Se antes tinha relações com o antigo presidente, Zine El Abidine Ben Ali, agora já começa a estreitar as ligações com a nova ordem política no país.

- Como em todas as autocracias árabes, o regime sempre procurou controlar os clubes. A Tunísia após a revolução sofreu menos interferência do que no Egito, mas o futebol continua altamente político, com indivíduos tentando se beneficiar disso - disse Dorsey.

Com tal tranquilidade, o Espérance foi capaz de se adaptar rapidamente à nova realidade. Em 2011, já com o fim da revolução, conquistou a Tríplice Coroa, ao assegurar os títulos do Campeonato Tunisiano, da Copa da Tunísia e da Liga dos Campeões da África. Em 2012, aliás, o time chega à terceira decisão seguida do principal torneio continental.

Na atual campanha, a equipe eliminou o Mazembe nas semifinais e ficou em primeiro lugar em seu grupo na fase inicial. Não sem antes tomar um susto já conhecido pelo Al-Ahly. Num duelo contra o rival local Étoile du Sahel, a torcida rival jogou bombas no gramado quando o Espérance vencia por 2 a 0.

Dentro de campo, o grande destaque é o meia-atacante Youssef Msakni. Autor de quatro gols na Liga dos Campeões, o jovem, de apenas 21 anos, é um dos finalistas do prêmio de Jogador Africano do Ano e já está acertado com o Lekhwiya, do Catar, para a próxima temporada.

Para sorte do Al-Ahly, porém, ele não estará disponível neste primeiro duelo, já que teve de passar por uma cirurgia de apendicite. Sem o principal jogador adversário, Fábio Júnior acredita que seus ex-companheiros têm chance de levar o título.

- O Al-Ahly tem condições de ser campeão. O grupo é bom, tem técnica e raça. Estou torcendo pelos jogadores.

Fonte: Globo Esporte

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mande seus comentários assim como as criticas também, mas as criticas construtivas. As sugestões e pedidos serão aceito com muito prazer. Os melhores comentários serão postados neste blogue. Assim como as criticas, sugestão e pedidos.

Fotos do Facebook