E por que tem sido difícil aceitar o que aconteceu? Porque o Palmeiras tem uma marca muito forte, uma torcida imensa e uma história marcante. E esse trinômio pavimenta a estrada de instituições esportivas de sucesso no mundo inteiro.
Lamentavelmente, o Palmeiras não se aproveita disso. Pior: se apequena.
Isso ocorre porque parece não haver lideranças, ou mesmo um nome de consenso no momento para aglutinar forças e tirar o clube dessa draga em que ele se encontra.
E o que fazer?
NBA
Em 1984, quando David Stern assumiu o comando da NBA (National Basketball Association), ele chegou ao prédio Olympic Tower, na Quinta Avenida, em Nova York, bem cedinho. Apresentou-se aos funcionários que lá trabalhavam e disse que a partir daquele dia ele seria o comissário da liga em substituição a Larry O’Brien.
Agradeceu as boas-vindas e em seguida pegou o elevador. Saiu. Muitos estranharam. Afinal, logo no primeiro dia, logo nos primeiros minutos, logo na primeira hora de trabalho o novo presidente saiu? Mal chegou e foi tomar café?
ada disso; Stern (foto Getty Images) saiu e foi até o escritório da NFL (National Football League), na Park Avenue, conversar com Pete Rozelle, o homem que administrava a liga de futebol americano, a mais rentável do mundo. Stern foi perguntar a Rozelle qual era o segredo daquele sucesso estrondoso.
A NBA, naquela época, era uma liga associada a jogadores drogados e franquias deficitárias. Os ginásios viviam vazios, a final do campeonato não era transmitida ao vivo pela televisão e os jogadores ganhavam uma mixaria.
Hoje, quase três décadas depois, uma franquia, que naquela época valia US$ 15 milhões, custa hoje cerca de US$ 350 milhões. Quando tomou posse, 23 eram os times que participavam do campeonato; atualmente são 30. A média salarial quando ele assumiu não chegava a US$ 1 milhão; hoje está em US$ 6 milhões. Os cinco maiores salários da NBA naquela época eram Magic Johnson (US$ 2,5 milhões), Moses Malone (US$ 2,1 milhões), Kareem Abdul-Jabbar (US$ 2,0 milhões), Larry Bird (US$ 1,8 milhão) e Jack Skima (US$ 1,6 milhão). Nos dias de hoje, os top 5 em salários na NBA são: Kobe Bryant (US$ 27,8 milhões), Brandon Roy (US$ 21,4 milhões), Dirk Nowitzki (US$ 20,9 milhões), Gilbert Arenas (US$ 20,8 milhões) e Amar’e Stoudemire (US$ 19,9 milhões).
De 1984 pra cá a NBA se globalizou e seus times e jogadores são conhecidos mundialmente. Seus jogos finais são transmitidos para todo o planeta e jornalistas do mundo inteiro vão até os EUA cobri-los ao vivo.
Tudo isso foi feito por David Stern, que teve a humildade de no primeiro dia de trabalho andar três quadras para conversar com Pete Rozelle, o presidente da NFL. Teve a humildade de perguntar a ele o que ele fazia para que o futebol americano fosse sinônimo de sucesso, de dinheiro em profusão e de estádios lotados.
HUMILDADE
Os palmeirenses deveriam fazer o mesmo. E sabe em que porta eles deveriam bater. Na porta do escritório de Andres Sanchez. Isso mesmo, o ex-presidente do Corinthians, o arquirrival do Palmeiras.
Os palmeirenses deveriam ter a mesma humildade de David Stern e tentar aprender com Sanchez (foto Daniel Ramalho/Terra) o segredo do sucesso do Corinthians. Afinal de contas, o time do Parque São Jorge passou em 2007 o que o Palmeiras passou em 2002. Os alvinegros, todavia, parece que aprenderam com o drama e a humilhação vividos. Os palmeirenses, não, pois voltaram a ser rebaixados.
Em um ano o Corinthians voltou, assim como o Palmeiras, mas diferentemente do alviverde de Palestra Itália, cresceu assustadoramente. No em 2009, de volta à elite do futebol brasileiro, e comandado por Andres Sanchez, que assumiu a presidência do clube um ano antes, na segundona, em substituição a Alberto Dualib, o Corinthians começou a ser campeão e não parou mais.
Ganhou o Paulista e a Copa do Brasil em 2009, o Brasileiro em 2011 e neste ano venceu a Libertadores, que era o seu grande trauma.
Sanchez não é mais o presidente do Corinthians. Hoje ele ocupa o cargo de diretor de seleções na CBF. Mario Gobbi o sucedeu, o mesmo Gobbi que era diretor de futebol na gestão de Sanchez e que foi levado à presidência do Corinthians por indicação de Andrés.
Andrés que foi o homem que acabou com o Clube dos 13, que negociou separadamente com a Globo, que valorizou a marca Corinthians, que trouxe Ronaldo Fenômeno de volta ao futebol brasileiro, e que pavimentou a estrada de sucesso que o Corinthians trilha no momento e que pode culminar com a conquista do Mundial Interclubes em dezembro próximo, no Japão.
Corinthians que deve fechar o ano com um faturamento perto de R$ 350 milhões. Transformou-se numa maquina de fazer dinheiro e boa administração esportiva.
Os palmeirenses deveriam ter a humildade de procurar um cara como Andrés Sanchez e perguntar a ele qual o segredo do estrondoso sucesso do Corinthians.
REALIDADE
É claro que isso não vai acontecer. Nenhum palmeirense vai procurar Andrés Sanchez. A rivalidade é grande demais, maior do que a sensatez.
Se um palmeirense fizesse isso, seria massacrado pela torcida, que age com passionalismo e não com lucidez. Por isso, essa conversa, que seria extremamente proveitosa para o Palmeiras, não passa de uma ficção de minha parte.
Na verdade, um desejo meu, pois ainda não consigo digerir o que aconteceu com o Palmeiras.
Fonte: Terra

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