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29 novembro 2012

Felipão é o cara

Para evitar o fiasco de sediar o sorteio da Copa das Confederações no sábado sem o treinador da equipe anfitriã do torneio e da Copa do Mundo’2014, o presidente da CBF, José Maria Marin, antecipou nessa quarta-feira o já esperado retorno de Luiz Felipe Scolari ao comando da Seleção Brasileira. Felipão, aos 64 anos, retorna ao posto uma década depois de levar o Brasil ao quinto e último título mundial. Ele vai comandar o time na Copa das Confederações, daqui a sete meses, e no Mundial, o segundo da história no país. Com liberdade para escolher os integrantes da comissão técnica.

A apresentação será nesta quinta-feira pela manhã, no Rio, e Marin deve anunciar também Carlos Alberto Parreira como coordenador técnico – ele deixa o cargo de consultor que ocupava na Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo (Secopa-MG). A função do treinador na conquista do tetra em 1994 vai ser recriada para substituir a de diretor de Seleções, ocupado por Andrés Sanchez, que entregou carta de demissão nessa quarta pela manhã. O atrito do ex-presidente do Corinthians com Marin ganhou proporções maiores na sexta-feira, quando o técnico Mano Menezes foi demitido. Sanchez ficou ainda mais irritado depois de ficar sabendo que o chefão da CBF já negociava a contratação do substituto sem consultá-lo.Ao contrário de sua estreia em 2001, Felipão chega com a imagem chamuscada pelo rebaixamento do Palmeiras no Brasileiro – apesar de o descenso ter sido motivado por uma série de fatores, como a constante crise na direção do clube. Em dois anos no Verdão, seu único título foi o da Copa do Brasil, no primeiro semestre.

Curiosamente, o mesmo clube que o demitiu em 13 de setembro foi um de seus passaportes para chegar à Seleção pela primeira vez. Com os títulos das Copas do Brasil e Mercosul’1998, Libertadores’1999 e Rio-São Paulo’2000, somado à conquista da Sul-Minas’2001 pelo Cruzeiro, ele assumiu a Seleção um ano antes da Copa do Mundo com a missão de salvar o Brasil de vexame no Oriente, depois de passagens desastradas de Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão.

RETORNO O último trabalho expressivo de Scolari foi na Seleção Portuguesa, quando quase levou os lusitanos ao histórico título da Eurocopa’2004 – perdeu em casa a decisão para a Grécia. Na Copa do Mundo de 2006, levou os lusitanos às semifinais. Em seguida, teve passagem conturbada de sete meses pelo Chelsea, demitido pelo dono do clube, Roman Abramovich, após resultados abaixo das expectativas. Antes de assumir o Palmeiras, em junho de 2010, treinou por uma temporada o Bunyodkor, do Cazaquistão.

Terceiro gaúcho seguido a assumir o cargo, Felipão tem mais uma vez a missão de apagar um incêndio, depois de Mano Menezes não conseguir bons resultados contra rivais tradicionais, cair nas quartas de final da Copa América e perder a final olímpica em Londres. Mano, que substituiu Dunga após a eliminação nas quartas de final da Copa de 2010 com a incumbência de renovar a Seleção, não conseguiu dar padrão de jogo ao jovem time e perdeu o apoio da torcida. Algo que a CBF – manchada pelas denúncias que levaram à renúncia de Ricardo Teixeira – tenta recuperar com a Família Scolari, decisiva para o penta em momento de descrédito.

Um dos destaques do penta há 10 anos, Ronaldinho Gaúcho aprovou a chegada do antigo chefe e evitou falar sobre suas chances na Seleção. “Quem sabe? Fomos campeões juntos e ele me deu confiança e moral para ser titular, mas preciso manter as boas atuações no Atlético. (Com Roger Dias e agências)DAQUI PARA O FUTURO...
Papões no caminho
Antes mesmo de assumir a Seleção Brasileira, Felipão já sabe que terá três campeões mundiais pela frente no primeiro semestre. Em 6 de fevereiro, o Brasil fará amistoso com a Inglaterra, em Wembley. Em 9 de junho, o adversário será a França, no novo Mineirão. E na primeira fase da Copa das Confederações, em local a ser sorteado no sábado, o time pegará a Itália. O encontro com a Azzurra foi confirmado nessa quarta pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Como Brasil e Espanha serão cabeças de chave e seleções do mesmo continente não poderão estar no mesmo grupo, os brasileiros enfrentarão os italianos, o mesmo ocorrendo com espanhóis e uruguaios.

MEMÓRIA
Aniversário com penta
Luiz Felipe Scolari comandou a Seleção Brasileira pela primeira vez em 1º de julho de 2001, em lugar do demitido Emerson Leão, que havia fracassado caindo nas semifinais da Copa das Confederações. A equipe, que havia sido treinada anteriormente por Vanderlei Luxemburgo, passava por momento de incertezas, que não foram afastadas com os primeiros resultados de Felipão – na estreia, perdeu para o Uruguai por 1 a 0, pelas Eliminatórias da Copa de 2002, e pouco depois amargou eliminação para a inexpressiva Honduras na Copa América. A Seleção só se arrumou mesmo no Mundial, com Ronaldo recuperado da lesão no joelho que o tirou de campo por quase dois anos. O êxito maior em pouco mais de um ano do gaúcho veio na véspera de ele completar um ano no comando: em 30 de junho de 2002, o Brasil conquistou o penta com vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha. Felipão se despediu da Seleção em 21 de agosto, com derrota para o Paraguai, por 1 a 0, em amistoso festivo disputado em Fortaleza.

Fonte: Super Esporte

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