| Sucessor de Andrés, Gobbi apresenta um bom trabalho na presidência do Corinthians
Foto: Terra
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Por 90 minutos, Gobbi explicou algumas de suas características mais marcantes. A resistência às entrevistas, a incessante busca pela descentralização do poder, o desejo de contar com Tite também em 2014, a viagem pelo Mundial de Clubes da Fifa e, principalmente, a fé, expressa em cada centímetro do ambiente de trabalho. De Nossa Senhora Aparecida, Fátima, São Jorge e São José, todos eles presentes em imagens na mesa do presidente.
Os quadros que expõe logo atrás da cadeira, por outro lado, mostram um Gobbi com tendência à resignação. As frases são de José Saramago: “estou convencido de que há de se seguir dizendo não, ainda que se trate de uma voz predicando no deserto" e "(...) são os pessimistas os únicos que querem mudar o mundo, para os otimistas está muito bem. Deveria se fazer profissão e militância do pessimismo".
Durão e sensível
As frases ajudam a explicar melhor a personalidade múltipla de Mário Gobbi, nome indicado por Andrés Sanchez para a sucessão e eleito presidente em fevereiro. Delegado de polícia, ele é suficientemente duro para erguer voz contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e recusar a cessão de Tite para a vaga de Mano Menezes. Ligado à família, por outro lado, se diz sensível e se emociona durante alguns momentos da entrevista. Como com a carta escrita pela mãe, Marlene, em 1979, quando deixou Jaú para morar em São Paulo. "Boto uma fé danada nele", escreveu para Gerson, tio de Gobbi.
A confiança foi a mesma que 1.920 sócios (60%) tiveram ao selecioná-lo para administrar o maior orçamento entre todos os clubes do Brasil. Aos corintianos, apresentou um modelo de gestão bem diferente ao de Andrés Sanchez, a quem descreve como "mestre e líder". Distante das entrevistas e com discurso claro, pausado e educado.
"Desde que nos conhecemos aqui no clube, começamos a trocar ideias de política, de gestão, de como fazer esse Corinthians. Eu sou o ponto e ele é meu contraponto. Ou sou o contraponto dele. Deus nos fez cada um com características próprias, virtudes e defeitos. Não sei dizer no que sou diferente, mas temos os mesmos princípios que achamos imprescindíveis a uma gestão. Cada um age a seu estilo porque cada um tem uma vida, uma história e uma personalidade".
Um clube hermético
Outra diferença marcante de estilo diz respeito à centralização. Até 2011, as decisões passavam pela sala da presidência, o que já não é uma rotina exclusiva de Gobbi, que fez algumas mudanças importantes em cargos de confiança. "O cargo me foi conferido para administrar o clube. Devo aparecer quando for necessário. Do contrário, cada diretor fala por sua área. Ele é o presidente da área. É uma descentralização que implantamos aqui no clube", resumiu.
Entre as razões para o sucesso na parte administrativa, Gobbi também sabe que a coesão tem sido importante. Três movimentos cruciais ao longo deste ano não vazaram à imprensa antes da hora, o que mostra um clube hermético: a renovação de Tite, o patrocínio da Caixa Econômica Federal e a sensível reformulação das categorias de base. "As pessoas não têm ideia do valor de uma informação".
Se Andrés Sanchez e ele divergem em alguns aspectos, há um ponto essencial com o qual concordam. Em cinco anos no Corinthians, Adilson Batista foi o único treinador demitido. Mano Menezes chegou à Seleção e de lá só saiu, por sinal, com a discordância do diretor de seleções Andrés. É nesse raciocínio que Gobbi se escora para confiar que Tite, ao fim de 2013, renovará contrato por mais um ano.
"Pensamos que o técnico pode ir mais longe do que em três anos", explicou. Em entrevistas recentes pós-renovação para 2013, Tite disse ver com dificuldades a chance de um novo contrato em função do desgaste natural do cargo. "No fim do ano, vamos sentar com o professor e convencê-lo a permanecer conosco por mais um ano", sorri Gobbi.
Sonhador, religioso e muitas vezes cético, o presidente corintiano fica com a voz marejada e perde as palavras ao ser perguntado sobre o que traz emoções e o que mais lhe deixa irritado nos últimos tempos. "Me emociona ver o clube campeão, poder entregar benfeitorias, fazer melhor do que peguei. Me emociona ver o Corinthians bem. Me irrita querer fazer algo e não conseguir, ter um entrave".
Fonte: Terra

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