Os erros de arbitragem na 30ª rodada do Brasileirão evidenciaram ainda mais problemas estruturais no futebol brasileiro, levantando questionamentos sobre os homens do apito no campeonato. Na opinião do ex-juiz Sálvio Spínola Fagundes Filho, que se aposentou no final de 2011, é justamente devido ao modelo ultrapassado da arbitragem no país que constantemente são geradas polêmicas e discussões sobre o tema.
'Unificar critérios é necessário, melhorar a arbitragem é necessário, só que temos que saber que a arbitragem hoje tem o mesmo modelo que existe há a cem anos. O futebol mudou muito, o mundo mudou, e arbitragem é a mesma. Temos que estar convencidos de que o modelo de arbitragem é um modelo ultrapassado, tem que encontrar uma solução, tem que pensar em tecnologia, árbitros adicionais, fazer experiências. Alguma solução tem que ser encontrada, porque o esporte precisa realmente ter o resultado mais legitimado', afirmou Sálvio, em entrevista ao ESPN.com.br, nesta segunda-feira, durante visita à redação dos canais ESPN.
Os lances que despertaram a revolta de dirigentes no último domingo aconteceram a favor dos líderes do Brasileirão, em jogos contra equipes que brigam contra o rebaixamento. Primeiro, Nielson Dias marcou um pênalti duvidoso contra a Ponte Preta diante do Fluminense, em uma bola que bateu na mão do zagueiro Luan. Depois, Flávio Guerra deixou de apitar uma suposta penalidade em jogada parecida, quando a bola pegou na mão de Carlos César, do Atlético-MG, em partida contra o Sport.
'O que ocorreu nessa rodada é o que a Fifa, a CBF têm passado de instrução para todos os árbitros, pedindo que tenha uniformidade de critérios. Foram lances quase que iguais, interpretação de mão intencional ou não, e houve um distanciamento muito grande na interpretação dos dois árbitros. Em minha opinião, os dois lances não têm intenção de utilizar a mão, não deveria ter sido marcado', opinou Sálvio Spínola, que integrou o quadro da Federação Paulista de Futebol, da CBF e da Fifa.
Sálvio Spínola, no entanto, evitou culpar especificamente um nome e entende que o problema é mesmo na estrutura da arbitragem. Segundo o ex-juiz, a solução para isso é uma melhor preparação dos árbitros, com cursos e busca por novos talentos.
'Temos que pensar a arbitragem como um todo, não é discutir um lance pontual ou a interferência em um resultado. Erro de arbitragem acontece em qualquer campeonato do mundo, agora a arbitragem brasileira tem quer continuar em busca de talentos, tem que criar sempre novos árbitros. São importantes os cursos, intensificar treinamentos, orientações dos instrutores da CBF, para que não aconteçam esses distanciamentos, para que as interpretações sejam muito mais próximas', disse Sálvio, que ainda se mostrou contra o sorteio de árbitros para definir as escalas de jogos.
'É preciso buscar novas condições de trabalho, dar uma segurança para o árbitro. O sorteio traz um prejuízo ruim para o futebol, isso não dá uma segurança para que o árbitro tenha trabalho, ele perde a sequência e jogos. São mudanças estruturais que o futebol brasileiro precisa urgente'.
O longo debate sobre a profissionalização da arbitragem no Brasil também foi abordado por Sálvio. O ex-árbitro acredita que esta seria a solução ideal para uma mellhora de nível, mas admite que a regulamentação como uma profissão ainda está muito longe de acontecer.
'O Brasil está muito atrás de outros países, como México, Argentina, Europa, Japão, que dão condições muito melhores para o árbitro trabalhar. Acho que brigar por profissionalização aqui no nosso país é lutar contra uma legislação arcaica, que é a CLT, é difícil ter uma estrutura para reconhecer como vínculo e emprego todo o quadro de árbitros. Mas tem que achar uma alternativa, uma proposta de prestação de serviços, para que o árbitro tenha uma garantia financeira do seu trabalho. E o próprio reconhecimento da profissão de árbitro, que está sendo discutida no Congresso há muitos anos e não se chega a uma solução. O reconhecimento da profissão é necessário em nosso país', explicou.
Apesar de admitir que o nível da arbitragem atualmente não acompanhou o desenvolvimento e a modernização do futebol, inclusive defendendo o uso da tecnologia no esporte, Sálvio Spínola é contra a punição pública aos juízes. Segundo ele, a avaliação de erros e acertos deve ser feita internamente com a Comissão de Arbitragem, evitando assim uma exposição ainda maior dos árbitros.
'A Fifa não permite que seja falado sobre lances técnicos ou disciplinares dos jogos. Qual a necessidade, a quem interessa punir publicamente um árbitro? E por que não punir publicamente um centroavante que perde um pênalti ou que perde um gol? Ou um goleiro que comete um frango? Essa punição acaba acontecendo em perda financeira, porque o árbitro fica sem apitar, o prejuízo na carreira do árbitro acontece. Eu cometi muitos erros na minha carreira e fui prejudicado, deixei de ir para jogos importantes', afirmou Sálvio Spínola.
Fonte: ESPN
Outra postagens
16 outubro 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mande seus comentários assim como as criticas também, mas as criticas construtivas. As sugestões e pedidos serão aceito com muito prazer. Os melhores comentários serão postados neste blogue. Assim como as criticas, sugestão e pedidos.