Ases do 'novo' Chelsea, Mata e Oscar observam 'velho' Chelsea, representado por Lampard Getty Images |
Pois bem, cinco meses depois, o time inglês que o treinador pode encontrar em 16 de dezembro, na final do Mundial de Clubes, também não. Contrariando uma tendência em Stamford Bridge desde o início da Era José Mourinho, em 2004, os Blues mudaram de cara, chutaram para longe conceitos que priorizavam a defesa, e têm apresentado, sob o comando de Roberto Di Matteo, um esquema ofensivo e ousado, como talvez nunca tenha sido apresentado com o clube sob os domínios de Roman Abramovich.
Por mais que a expectativa é de que um time misto seja escalado no clássico desta quarta-feira, às 18h15 (de Brasília), contra o Manchester United, em Stamford Bridge, pela Copa da Liga Inglesa, o Chelsea atual tem um conceito básico e claro: o toque rápido de bola, com verticalização das jogadas. No 4-2-3-1, Di Matteo potencializa a capacidade de criação e movimentação do trio de armadores formado por Oscar, Mata e Hazard, sepultando o estilo que predominou por anos e ficou latente nos jogos decisivos para o título da Liga dos Campeões, contra Barcelona e Bayern de Munique: marcação forte a espera de escapulidas em contra-ataque ou, principalmente, bolas longas para Didier Drogba.
Antes da vitória por 3 a 2 no clássico de domingo, Alex Ferguson elogiou a nova formação do rival, mas a apontou como fruto de uma necessidade diante da saída do marfinense. Ponto, sim, determinante, mas que foi ao encontro dos desejos de Di Matteo e até mesmo do próprio Abramovich, ávido por ver sua equipe não apenas vencer, mas também jogar bonito.
- Na temporada passada, tivemos que fazer daquela maneira. Mas nessa agora jogamos da maneira que achamos certo para vencer os jogos. Mudamos a forma como jogamos ao longo dos anos, a ideia. Foi uma opção do clube fazer isso - disse o treinador italiano.
Números jogam a favor, mas Di Matteo mantém pés no chão
E o novo Chelsea tem tido sucesso em seus primeiros meses. Depois de nove rodadas, o time é o líder do Campeonato Inglês, com 22 pontos: sete vitórias, um empate e uma derrota. O revés aconteceu justamente no último jogo, contra o United, e em situação atípica. A equipe avançava como uma avalanche em busca da virada, após sofrer 2 a 0 e empatar, quando teve dois jogadores expulsos e sofreu gol irregular. Os Blues têm ainda o segundo melhor ataque (21 gols) e a terceira melhor defesa (nove gols sofridos) da competição.
Di Matteo, por sua vez, não se ilude com o início arrasador de temporada. Com o sinal de alerta ligado depois de cair por 2 a 1 para o Shakhtar Donetsk, fora de casa, pela Champions, o italiano já tinha deixado claro que arrestas ainda precisam ser aparadas até que seu time chegue ao ponto ideal.
- Como time, ainda temos que melhorar. Já falei sobre isso. Temos que encontrar o equilíbrio, a disciplina. Sabemos isso e vamos trabalhar. É algo que vai levar tempo, mas temos melhorado e esperamos continuar assim. Tivemos um bom começo, mas temos que mostrar consistência ao longo de um grande período.
Muito desse equilíbrio e disciplina citados por Di Matteo está relacionado a dois pontos determinantes para as quatro derrotas do time na temporada: o ritmo lento nos inícios da partida e do segundo tempo, e a exposição defensiva, que muitas vezes deixa o quinteto Ivanovic, Terry, David Luiz, Ashley Cole e Obi Mikel no mano a mano com adversários. Se antes marcar era a obrigação inicial, agora parece ter perdido espaço diante da confiança em sempre balançar a rede mais vezes que os adversários.
- A base do nosso jogo é ter uma defesa sólida para tentar atacar e marcar os gols. Devemos ter essa disciplina. Não podemos pensar que se sofrermos um gol sempre vamos marcar dois - alertou Di Matteo.
Derrota na Ucrânia expõe fragilidade
Vale ressaltar, porém, que duas das quatro derrotas azuis na temporada aconteceram em inferioridade numérica de jogadores: assim como no 3 a 2 para o United, Ivanovic também foi expulso, ainda no começo do jogo, em revés pelo mesmo placar diante do Manchester City, na decisão da Supercopa da Inglaterra. O mesmo atenuante já não vale para os jogos contra Atlético de Madrid, pela Supercopa da Europa, e Shakhtar Donetsk.
Se o 4 a 1 com show de Falcao Garcia aconteceu ainda no início da temporada e sem a presença efetiva - e determinante - de Oscar na equipe, a exibição na Ucrânia mostra que o novo esquema ainda é frágil diante de equipes que reduzam os espaços e apertem a saída de bola:
- A forma como Hazard foi desarmado por Fernandinho na última semana é um exemplo do grande perigo para Di Matteo. Jogando assim, o Chelsea seguirá fazendo Abramovich feliz, mas esse ponto fraco é algo que os rivais, como o Corinthians, podem explorar - analisou o jornalista britânico David Woods, setorista dos Blues no jornal Daily Star.
'A fera virou bela', analisa jornalista britânico
Woods elogiou a transformação da equipe, mas lembrou que a própria característica de seus jogadores acaba por tornar o novo esquema perigoso. O repórter ainda pontuou que o grupo ofensivo atual não colabora tanto na defesa como acontecia no passado.
- O Chelsea transformou a fera em bela na temporada atual, mas, como consequência, está muito mais frágil. O time sabe que pode explorar o toque refinado de Mata, Oscar e Hazard para atacar, mas não é tão sólido quando tem que defender. Ramires faz bem o papel defensivo ao lado de Obi Mikel, mas também sobe ao ataque instintivamente, enquanto Lampard, aos 34 anos, não é uma ameaça nem atacando nem defendendo. Toda essa situação nos faz ver também quão importante era Didier Drogba na defesa. Muitas vezes, era ele o responsável por aliviar a pressão em bolas áreas e até mesmo ajudar na marcação com seu porte físico.
A inoperância diante do Shakhtar, por sua vez, foi exceção para uma equipe que, por seu poder de fogo, tem conseguido suprir qualquer carência defensiva. Correspondente do Sportv em Londres, o jornalista Marcelo Barreto chama a atenção para dura missão que o setor defensivo do Corinthians terá pela frente no Mundial, e discorda de Tite ao lembrar que o ferrolho em alguns jogos na temporada passada se deu mais por necessidade do que característica.
- O Chelsea pode ter passado a muita gente a falsa impressão de ser um time retranqueiro, porque jogou na defesa contra o Barcelona - era a única coisa a se fazer - e contra o Bayern - que teve o mando de campo na decisão da Champions. Mas já era um time de bom potencial ofensivo, e as contratações desta temporada o aumentaram ainda mais. Oscar e Hazard permitiram a Di Matteo montar o triângulo de meias ofensivos que está na moda entre os grandes times ingleses. Não acho que seja boa notícia para o Corinthians. O Chelsea ainda não é um Barça, mas marcar tanta gente boa de bola do meio para a frente vai dar trabalho para a turma do Tite. E a defesa é sólida e experiente. Uma combinação ruim para os adversários.
Combinação que o Manchester United terá mais uma vez pela frente nesta quarta, às 18h15m (de Brasília), pela Copa da Liga, em partida que o globoesporte.com acompanhará em Tempo Real. Entretanto, o Chelsea que entrará em campo será bem diferente do que é considerado ideal: suspensos, Ivanovic, Fernando Torres e Terry fazem parte da lista de desfalques, que conta ainda com Ashley Cole e Lampard, lesionados. Já os Red Devils devem poupar titulares como Rooney e Van Persie, entrando em campo um time misto.
Prováveis escalações:
Chelsea: Turnbull, Azpilicueta, Cahill, David Luiz e Paulo Ferreira; Romeu, Ramires, Bertrand e Marin; Moses e Sturridge.
United: De Gea, Buttner, Evans, Wootton e Rafael; Fletcher, Anderson, Powell e Giggs; Chicharito e Welbeck.
Fonte: Globo Esporte

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