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24 agosto 2012

Ídolo do Corinthians influenciou colegas a cursar faculdade

Zenon, ao centro, perfilado junto a seus companheirosCom novos irmãos na família, o ex-jogador teve de começar a ajudar em casa desde cedo. Foi atendente em farmácia, sonoplasta de rádio, até que atuou como pegador de bolas nos treinos do Hercílio Luz. Certo dia, um dos jogadores faltou e ele foi chamado para compor o elenco. Mesmo atuando fora de posição, na ponta-direita, Zenon afirma que jogou bem e no final da atividade foi procurado pelo treinador para que continuasse na equipe. Na sequência, quando já ocupava o banco de reservas, entrou no lugar de um companheiro que havia se machucado e foi o melhor jogador da partida.

'Quando o cara que eu tinha entrado no lugar se recuperou, já tinha a camisa 10 e era titular absoluto. No primeiro semestre de 1971, jogava descalço, e, no segundo, já atuava como profissional, sendo eleito o melhor da posição no campeonato catarinense', resume Zenon.

Foco nos estudos
O ex-jogador lembra que naquela época não se ficava rico jogando futebol. Preocupado em como seria sua vida quando não pudesse mais atuar profissionalmente, Zenon entrou na faculdade de Educação Física em 1975. Como ele tinha aulas integrais em alguns dias da semana, teve de conversar com os dirigentes do Avaí para faltar em alguns treinos e compensar em horários alternativos. 'Certo dia, o Guarani foi treinar no nosso CT para pegar o Figueirense e eles pediram para eu completar a equipe reserva. Me destaquei e fui contratado', diz.

Contudo, uma das exigências para que o negócio fosse concretizado era que a equipe paulista arrumasse uma transferência de faculdade e permitisse que ele conciliasse sua carreira com os estudos. 'Esse meu exemplo acabou influenciando outros, como Flávio Trevisan, que hoje é um dos melhores preparadores físicos do país, e o Manguinha. Todos nós saíamos do treino juntos para ir para a universidade', acrescenta.
Mas não era apenas nos estudos que ele se destacava. Dentro de campo, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978, marcando de pênalti o gol da vitória do Guarani na primeira partida da decisão contra o Palmeiras. 'Foi uma das grandes emoções da minha carreira calar o Morumbi lotado com quase 100 mil pessoas', recorda.

Em 1980, o jogador se transferiu para a Arábia Saudita, e ao final da temporada foi surpreendido por uma visita de Vicente Matheus, então presidente do Corinthians, que apareceu lá com uma mala de dinheiro para contratá-lo.

'Aceitei na hora e vivi uma grande fase junto com Sócrates e Casagrande na democracia corintiana. Além do papel importante que nós tivemos no contexto político do país, a gente sempre teve que vencer para mostrar que nosso esquema sem concentração funcionava dentro de campo', diz.

Reta final
Já no final da carreira, em 1989, Zenon começou a jogar pela Seleção Brasileira de Masters. Abandonou os gramados dois anos depois, mas seguiu com o projeto de veteranos, que existe até hoje. 'Gosto de falar que minha carreira profissional durou 20 anos, nas já estou outros 20 jogando nos masters. Também sou comentarista de rádio e TV desde 1992 e mantenho uma escolinha de futebol em Campinas, onde aplico os conhecimentos que aprendi na faculdade', encerra.


Fonte: Terra

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