Em quase 102 anos de história, o Corinthians construiu uma galeria de
ídolos que tem goleiros, laterais, zagueiros, volantes, meias e
atacantes. Mas que não tinha técnico. Agora tem! Tite pode até mudar de
clube e conquistar títulos por rivais, como outros treinadores fizeram,
mas já pode se sentir parte desse seleto grupo. Adenor Leonardo Bacchi
deu à Fiel o que ela mais queria: a Libertadores.
De maneira incontestável, Tite levou o Timão à inédita conquista com
uma campanha invicta, apoiada na regularidade, na raça e na emoção. Seu
papel foi tão importante que não há exagero algum em dizer que se existe
um protagonista no grupo, é o treinador. Baseado na “treinabilidade”, o
comandante alvinegro deu um show de “estrelabilidade”. Sim, Tite é a
estrela desse título, embora não admita.
- O grupo mereceu, trabalhou dentro do campo. Ninguém fez mais, ninguém
trabalhou mais, teve uma concentração muito alta. Não foi acaso, não
foi sorte. Foi merecimento e competência desse grupo, que é muito amigo.
Falei para eles sobre a amizade que eles têm, isso quando bate no
coração fica muito forte - afirmou após a conquista.
Tite é a estrela não só pela maneira como conduziu a equipe na
Libertadores de 2012, mas principalmente por toda sua caminhada no Timão
(nas duas passagens). Até ser reverenciado pela Fiel como um dos
responsáveis pelo maior sonho da República Popular do Corinthians, Tite
sofreu (e muito!). Deu a volta por cima em grande estilo, tendo como
lemas a humildade, a justiça e o trabalho.
Tite orienta os jogadores do Corinthians na partida contra o Boca Juniors (Foto: Agência AFP)
Para entender melhor a trajetória de Tite no Timão é preciso voltar no
tempo. Mais precisamente a fevereiro de 2005, quando o técnico foi
demitido por Kia Joorabchian, presidente da MSI, conturbada parceira do
clube à época. Triste com a dispensa, o comandante declarou, em tom
profético: “um dia eu volto para terminar o que não deixaram”.
Tite não estava mal no comando do Timão naquela ocasião. Tinha sido
contratado em maio de 2004 para o lugar de Oswaldo de Oliveira. Pegou a
equipe na 18ª colocação do Brasileiro e chegou com ela até a quinta
posição. Só que durante o Paulistão de 2005, a MSI decidiu contratar
Daniel Passarella para o seu lugar. Não deu certo, o argentino também
foi demitido.
Depois disso, Tite passou por Atlético-MG, Palmeiras, Al-Ain,
Internacional e Al-Wahda antes de retornar ao Corinthians, em outubro de
2010. Pouco depois de completar 100 anos, o Timão demitiu Adilson
Batista e chamou Tite para ganhar o Campeonato Brasileiro. Mas o
treinador não conseguiu cumprir sua missão, e o Corinthians terminou o
nacional em terceiro lugar.
Contra o Vasco, Tite foi expulso e comandou o time das numeradas (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Posição que colocava o Corinthians na Pré-Libertadores de 2011 contra o
desconhecido Tolima, da Colômbia. Presa fácil para o Timão de Ronaldo,
Roberto Carlos e cia, certo? Errado! Com um empate no Brasil e uma
derrota por 2 a 0 na Colômbia, o clube alvinegro virou um inferno.
Protestos, pedido de saídas de jogadores e, claro, a cabeça de Tite.
Se ainda no Brasileirão algumas pessoas de dentro do clube e da torcida
já queriam a saída do treinador, nesse momento, então, era praticamente
certa a sua saída. Mas a diretoria alvinegra decidiu apostar na
permanência do treinador. E deu certo. Sob o seu comando, o Corinthians
fez uma ótima campanha no Brasileirão, conquistou o pentacampeonato e
garantiu vaga na Libertadores.
Desde a primeira partida na competição sul-americana deste ano, Tite
priorizou. Deixou o Paulistão um pouco de lado, assim como o Brasileirão
mais recentemente, e focou na obsessão alvinegra. Foi criticado, é
verdade, por um futebol de poucos gols, mas muito eficiente. Tite, com
essa campanha incontestável, cravou seu nome na história do centenário
Corinthians.
E para isso, ele se revelou um treinador bem-humorado, intenso, com
discurso ímpar e um verdadeiro comandante. Não deixou que os reservas se
desanimassem, não deu a faixa de capitão a um só jogador (houve
rodízio), controlou o ego dos seus jogadores, barrou Chicão no ano
passado, barrou Julio Cesar nesta temporada, venceu braço de ferro com
Adriano. E saiu intacto. Ou melhor, ainda mais forte.
A conquista da Libertadores da América é um marco na história do
Corinthians. Uma taça que acaba com anos de gozações dos rivais e
coloca, enfim, o Timão em um patamar internacional. Mas um título que
também dá ao corintiano o orgulho de dizer que agora a Fiel tem um
técnico-ídolo. E o nome dele é Tite.
Tite foi bancado por Andrés e levou o título brasileiro em 2011 (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mande seus comentários assim como as criticas também, mas as criticas construtivas. As sugestões e pedidos serão aceito com muito prazer. Os melhores comentários serão postados neste blogue. Assim como as criticas, sugestão e pedidos.