A esperança corintiana em segurar o jogador está na vontade dele de não
trocar o Timão por centros de difícil adaptação na Europa. Paulinho não
tem boas recordações das experiências que teve no Velho Continente,
quando sofreu com o racismo na Polônia e na Lituânia e pouco evoluiu
tecnicamente.
Agora, pesa o sonho de disputar a Copa do Mundo de 2014 e de não ver a
esposa e a filha em apuros no dia a dia de países com culturas tão
diferentes. Ele teme que a transferência para os mercados do leste, como
Rússia e Ucrânia, possa afastá-lo das convocações de Mano Menezes, como
aconteceu com o ex-companheiro Jucilei, comprado pelo Anzhi-RUS.
Paulinho foi procurado no mês passado por representantes do CSKA. A
oferta pelos direitos era de € 10 milhões (algo em torno de R$ 25
milhões), além de uma boa quantia como salário. O jogador, porém,
descartou o negócio. Roma e Inter de Milão já enviaram emissários ao
Brasil para observá-lo e também estão na briga, o que complicaria a vida
do Timão por estarem um centro de maior visibilidade.
O Corinthians sabe que não terá muito o que fazer se tiver de competir
com clubes italianos e espanhóis, por exemplo. Mesmo assim, insistirá no
negócio mesmo que tenha de despejar na transação todo o dinheiro
arrecadado com a venda de Leandro Castán e oferecer um considerável
aumento salarial após a Libertadores.
Além disso, a disputa será também com os donos dos direitos do jogador.
O clube já tentou comprar parte deles, mas recebeu um não como resposta
– o Banco BMG tem 45%, mesmo número do Audax-SP. O Bragantino é
detentor de 10%. O Timão ficaria apenas com 20% do lucro em caso de uma
negociação acima de R$ 1 milhão, valor no qual o atleta foi adquirido em
2010.
O desejo de manter Paulinho tem um motivo claro: o Corinthians não
possui no grupo nenhum jogador que esteja preparado para assumir a vaga
com a mesma qualidade. Edenílson é bastante elogiado por Tite, mas
mostrou que pode render melhor ainda como lateral-direito, setor em que
chegou a deixar o veterano Alessandro no banco de reservas – ele se
recupera de uma fratura no pé esquerdo.
Leandro Castán foi negociado com o Roma (Foto: Daniel Augusto JR / Agência Corinthians)
A mesma situação não se aplicou a Leandro Castán. O Timão conta no
elenco com pelo menos três zagueiros em condições de assumir o posto:
Paulo André, Wallace e o garoto Marquinhos, apontado pela comissão
técnica e pela direção como uma das grandes promessas da base nos
últimos anos.
Caso não consiga manter Paulinho, o Corinthians já tem um outro alvo
para a posição. Guilherme, destaque da Portuguesa na Série B do ano
passado, voltou a entrar na mira. Os clubes retomaram as conversas e a
negociação deve avançar nos próximos dias.

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