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11 julho 2012

Diretor do Timão diz que tem jogador pedindo para atuar no campeão da América

São Paulo - Por trás do título da Libertadores existiu um planejamento da diretoria para que a trajetória até o topo da América ficasse sem obstáculos para Tite e companhia. Roberto de Andrade, diretor de futebol, e Duilio Monteiro Alves, diretor adjunto, formularam a preparação vitoriosa, e agora, sem tempo para comemoração, já têm a missão de executar um caminho de sucesso até o Mundial. Confira o bate-papo com os dois cartolas sobre negociações e o futuro do Timão:

MARCA BRASIL: O que precisaram mudar e aperfeiçoar de quando assumiram a diretoria de futebol, no começo de 2011, até a conquista da Libertadores?
Roberto de Andrade: O principal foi o planejamento.Nós fizemos um planejamento não só com o pensamento em trazer jogadores. Objetivamos lá atrás a Libertadores. Os jogadores que fazem parte desse titulo foram escolhidos um a um. Os que vieram foram os que exatamente nós queríamos. E não só como atletas, mas como pessoas. Por isso que o grupo se formou dessa forma, com tanta união. Este é um dos maiores segredos do título.

Duilio Monteiro Alves: Também coloco a escolha do grupo com um ponto fundamental para essa conquista. Mas a manutenção do Tite, logo depois da eliminação para o Tolima-COL (na fase prévia da Libertadores de 2011), quando tínhamos acabado de assumir, também foi fundamental. Além da permanência do Tite ao longo do Campeonato Brasileiro, quando havia muita pressão.

MB: Percebe-se a união do grupo de atletas, mas como é esta sintonia da diretoria com o técnico Tite?
RA: A sintonia é de duas vias. Quando nós, a diretoria, somos solicitados pelo Tite, para algo que ele deseja pontualmente, a gente apoia. E quando a gente solicita, ele nos apoia. Existe uma coerência nesse caminho. Isso não significa que a gente peça para ele escalar alguém. Não existe imposição de ninguém. Tudo o que fizemos, todos estavam de acordo e aceitaram.

MB: Quais foram os pedidos do Tite na campanha do título? E houve divergência?
DMA: São muitos exemplos. E divergência sempre existe e vai existir. O principal fator foi a gente ouvir tudo o que o Tite tinha para falar e dividimos tudo também com os atletas. Este foi o grande segredo.

MB:No caminho até a conquista continental, quais foram os erros que tiveram que ser corrigidos para o bem do clube? O Adriano se inclui nesta correção?
RA: Não dá para falar diferente: nós erramos com o Adriano. A intenção era a melhor possível, tanto nossa quanto a dele. Poderíamos ter sido campeões juntos. Mas o dia a dia nos levou para lados diferentes. Coloco isso como uma coisa pequena dentro do clube. Não atrapalhou o dia a dia e não tirou o foco dos jogadores.

MB: Quais foram as maiores dificuldades que tiveram ao longo da caminhada?
RA: Ninguém sabe o que nós passamos quando o vice-presidente (Luis Paulo Rosenberg) chamou o time de medíocre. Foi muito complicado. Qualquer coisa que é dita de forma errada pode comprometer um trabalho. Ele falou m..., não ajudou e só atrapalhou com isto. Aquela semana, antes dos jogos contra o Santos (pela semifinal), foi dura. Os jogadores vieram cobrar e perguntar sobre aquilo. Temos que ter muito cuidado com o que falar. E esse é o nosso papel aqui dentro: não podemos deixar nada confrontar o que fazemos.

MB: Depois da conquista, como começa o planejamento para o Mundial?
DMA: Primeiro a gente tem a preocupação de fazer a manutenção do elenco mais uma vez, porque temos a convicção que esse é o melhor caminho. A gente sabe também que a valorização dos jogadores é inevitável. E não podia ser diferente depois de duas conquistas. Ele são profissionais e também trabalham para isso. O Corinthians sabe valorizar seus jogadores, independente de ter contrato vigente. O Corinthians não precisa de dinheiro e não quer fazer caixa, queremos manter nossos jogadores e não teremos um desmanche. Mas é lógico que a gente depende da vontade do jogador e o que ele pensa para a sua carreira. E outro que você tem parceiros que investiram nos jogadores e querem seus lucros. Vamos lutar contra todos os obstáculos para manter esse elenco. E a melhor preparação para o Mundial é a disputa do Brasileiro. Queremos conquistar esse título também.

MB: Dá para garantir então que o Paulinho fica e ninguém mais sairá?
RA: Vamos partir do princípio que todos os jogadores vão ficar. Porém, nesta semana podemos ser procurados por algum jogador que deseje sair por ter uma boa proposta, como pode acontecer com o Paulinho. Existem dois ingredientes fundamentais para decidir a saída de um jogador: a vontade dele e o valor financeiro bom para o clube. Se juntar essas duas coisas, não há como segurar alguém. Foi o que aconteceu com o Castán. E se isso acontecer com outro, não há como segurar. Mas a mesma mão que sai é a que entra. Tem jogadores que podem fazer de tudo para jogar aqui.

MB: Vocês trabalham com a ideia de repor a perda do Leandro Castán?
RA: Não vemos essa necessidade. Temos Chicão, Wallace, Marquinhos, Felipe, Antônio Carlos e Paulo André. Temos jogadores para suprir isso.

MB: Com a tendência atual do futebol brasileiro, com as contratações de Seedorf e Forlán, dá para o torcedor corintiano sonhar com jogadores desse porte?
RA: Lógico que a gente tem a vontade de trazer jogadores com grande nome internacional. Mas não vamos trazer só pelo nome internacional e sim pela nossa necessidade. Pode ser que esse jogador de grande nível possa vir, até pelo nosso empenho no trabalho, mas virá porque temos a necessidade. E para o torcedor entender, a gente sempre busca o melhor. Às vezes não conseguimos.

DMA: Se conseguirmos a manutenção do elenco, precisaremos de poucas peças. Como no ano passado, esse time que montaremos não é só para o Mundial e o Brasileiro, é também para o bicampeonato da Libertadores. Se for analisar, faltam só seis meses para a próxima Libertadores. Nossa ideia é qualificar o elenco, sem desmanche.

MB: Imagino que vários jogadores se ofereceram...
DMA: Depois da conquista da Libertadores meu telefone não parou, com atletas se oferecendo para o clube. E vários de ponta, mas nós já temos esses jogadores de ponta.

MB: O torcedor pode sonhar com o título Mundial?
RA: Sonhar pode, e deve. E vamos seguir a nossa linha que vem dando certo (é interrompido por Duilio)...

DMA: ...Sem dúvidas. Esse trabalho mostrou que podemos chegar mais longe.

Fonte: Marca Brasil

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