A Copa Santander Libertadores é a principal obsessão do futebol
brasileiro. Para um clube que nunca a havia vencido, então, cujos
torcedores eram atormentados por palmeirenses, são-paulinos e santistas,
todos eles campeões continentais, o valor da conquista é ainda maior.
Foram nessas condições que o Corinthians se tornou o melhor time da
América Latina e se consolidou como uma das melhores gestões do Brasil.
Os
méritos pelo "título" fora de campo são ainda mais claros,
principalmente, porque o clube havia sido rebaixado à segunda divisão
menos de cinco anos antes, no fim de 2007, depois de ter se envolvido
intensamente com o empresário iraniano Kia Joorabchian. Acusações de
lavagem de dinheiro na empresa dele, a MSI, foram fatos que contribuíram
para que o Corinthians fosse à Série B na época. Trata-se de um
renascimento.
E um renascimento que teve alguns principais nomes. Andrés Sanchez,
agora ex-presidente, foi quem assumiu o clube e o organizou na parte
política. Mas a gestão foi reconstruída por Luis Paulo Rosenberg,
renomado economista que foi, entre outros cargos, assessor do ministro
Delfim Netto no governo de João Figueiredo, responsável por negociar com
o Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a ditadura militar.
No Corinthians, a evolução é facilmente notada em balanços patrimoniais. Entre 2008 e 2011, o faturamento anual saltou de R$ 117,5 milhões para R$ 290,4 milhões, o maior do país. Em entrevista àÉpoca NEGÓCIOS, o ex-diretor de marketing e atual vice-presidente, Rosenberg, apontou quais foram os principais acertos: "o projeto mais importante foi o sócio-torcedor, e o segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial".
No Corinthians, a evolução é facilmente notada em balanços patrimoniais. Entre 2008 e 2011, o faturamento anual saltou de R$ 117,5 milhões para R$ 290,4 milhões, o maior do país. Em entrevista àÉpoca NEGÓCIOS, o ex-diretor de marketing e atual vice-presidente, Rosenberg, apontou quais foram os principais acertos: "o projeto mais importante foi o sócio-torcedor, e o segundo, a rede de franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do futebol mundial".
Orador
habilidoso, qualidade que certamente aprimorou durante as trativas com o
FMI, e adepto de palavrões e provocações, do modo que o torcedor
corintiano admira, o dirigente explicou como o Corinthians irá manter o
crescimento nas receitas. O estádio, cuja estimativa é render R$ 100
milhões líquidos por ano, é um dos principais pilares, mas as
negociações só devem começar no fim deste ano.
Sem patrocinador
máster desde abril passado, quando a Hypermarcas decidiu não estender o
aporte que fez nas últimas temporadas, Rosenberg também justificou por
que o clube ainda não vendeu essa cota. "O Corinthians é muito caro,
negocia de forma muito dura e depois entrega mais do que combinou. Mas
as empresas estão muito desalentadas com o quadro econômico mundial.
Isso é economia, não é futebol".
A gestão do Andrés Sanchez
começou no fim de 2007, com o Corinthians na segunda divisão, e menos
de cinco anos depois a Libertadores foi conquistada, uma antiga
obsessão da torcida. Quais foram os principais acertos, em termos de
gestão, nesse período?Em primeiro lugar, a reforma do
estatuto, tornando ele democrático, moderno e dinâmico. Em segundo, a
blindagem do futebol. O Corinthians deve ser o clube com menos
intervenção de corneteiros, empresários e familiares. Em terceiro, o
estádio. E, em quarto, o marketing.
No caso do marketing, o que fez a maior diferença?O
projeto mais importante foi o sócio-torcedor. O segundo, a rede de
franquias. Em três anos, abrir 110 lojas é inédito na história do
futebol mundial. E tudo o que a gente faz é para facilitar a vida da
Fiel. Fizemos quatro longa-metragens, contando recortes da nossa
história. Temos uma TV 24 horas em um canal a cabo exclusivo. O resto é
decorrência.
Dá para citar também alguns erros importantes nesses cinco anos, medidas que hoje se mostram pouco acertadas?
Dá, claro. Tentamos fazer um jornal semanal, não conseguimos. Tentamos fazer uma rádio FM, não conseguimos. Amistosos, então, nós somos um desastre. Não conseguimos colocar de pé nenhum amistoso notável.
Dá, claro. Tentamos fazer um jornal semanal, não conseguimos. Tentamos fazer uma rádio FM, não conseguimos. Amistosos, então, nós somos um desastre. Não conseguimos colocar de pé nenhum amistoso notável.
Mas aí tem um problema de calendário, porque o brasileiro não bate com o europeu, e isso extrapola o Corinthians, não?
É verdade. Mas às vezes tem algumas brechas, tentamos fazer e não somos bons nisso.
A
gestão do Corinthians é muito elogiada, com um faturamento que cresce
ininterruptamente há vários anos, e o maior contrato de TV do país.
Ainda existe hoje a possibilidade de haver um retrocesso na gestão do
clube?
É mais ou menos a situação do Brasil. Se a gente eleger uma Cristina Kirchner [presidente da Argentina] tudo é possível. Se elegermos um débil mental que chega aqui e diz que loja e sócio-torcedor são p**** nenhuma, podemos regredir. O Corinthians é muito presidencialista, então temos que ser muito pedagógicos no que fazemos, explicar o porquê, para tentar manter. E, novamente usando a metáfora do Brasil, quanto mais democrático for o processo de eleição, menor esse risco. Sabe-se que um colégio eleitoral de três ou quatro mil tem muito mais chances de errar do que três ou quatro milhões.
É mais ou menos a situação do Brasil. Se a gente eleger uma Cristina Kirchner [presidente da Argentina] tudo é possível. Se elegermos um débil mental que chega aqui e diz que loja e sócio-torcedor são p**** nenhuma, podemos regredir. O Corinthians é muito presidencialista, então temos que ser muito pedagógicos no que fazemos, explicar o porquê, para tentar manter. E, novamente usando a metáfora do Brasil, quanto mais democrático for o processo de eleição, menor esse risco. Sabe-se que um colégio eleitoral de três ou quatro mil tem muito mais chances de errar do que três ou quatro milhões.
No
futebol brasileiro, isso é um problema recorrente. Um presidente faz
um bom trabalho por dois, quatro ou seis anos, aí entra um novo, e as
coisas começam a regredir. Tem como resolver esse problema?Ou
você realmente conquista corações e mentes ou não funciona. Agora,
você vê que a gente está evoluindo. Primeiro, foi uma prova de
maturidade fantástica o Andrés [Sanchez, ex-presidente corintiano] não
pedir reeleição, ao contrário de outros presidentes do país, para dar
exemplo de que a gente luta por ideais quando está fora que não mudam
quando a gente está dentro. Conseguimos eleger um presidente que tem a
maior qualificação dentro do clube. Acredito que a equipe do Mário
[Gobbi, presidente corintiano] é um avanço em relação à do Andrés.
O que mudou da gestão do Andrés para a gestão do Gobbi, agora?Tivemos que fazer substituições, e ele foi muito feliz.
No marketing, no futebol, no financeiro?
Em tudo. No marketing, ele trocou um economista metido a besta [Rosenberg refere aqui a si mesmo] por um dono de uma Saatchi & Saatchi [agência de publicidade da qual Ivan Marques, atual diretor de marketing corintiano, é sócio-diretor]. É um avanço significativo.
Em tudo. No marketing, ele trocou um economista metido a besta [Rosenberg refere aqui a si mesmo] por um dono de uma Saatchi & Saatchi [agência de publicidade da qual Ivan Marques, atual diretor de marketing corintiano, é sócio-diretor]. É um avanço significativo.
O Ivan está atendendo às expectativas?
O Caio [Campos, gerente de marketing corintiano] está tendo com quem dialogar, criar coisas. Como ele iria conversar com um economista para explicar o que é ativação? Melhorou muito.
O Caio [Campos, gerente de marketing corintiano] está tendo com quem dialogar, criar coisas. Como ele iria conversar com um economista para explicar o que é ativação? Melhorou muito.
Depois de
vencer uma Libertadores, dá para estimar quanto vale esse título
financeiramente? Somando patrocínios pontuais, bilheterias...
Ainda não está definido, porque tem muita água para correr. Fiz uma estimativa com o Caio, e por baixo já deu uns R$ 25 milhões. Mas acho que vai dar mais do que isso. A loja está faturando muito mais. É difícil saber. Quando lançarmos o livro da Libertadores, vai ser uma febre. O livro do Brasileirão do ano passado está vendendo muito mais desde que a gente ganhou. Dá para dizer os efeitos diretos, mas os indiretos são muito grandes. E quantos torcedores de três, quatro ou cinco anos eu ganhei? É o consumidorzinho que vai comprar nossos produtos daqui a 15 anos.
Ainda não está definido, porque tem muita água para correr. Fiz uma estimativa com o Caio, e por baixo já deu uns R$ 25 milhões. Mas acho que vai dar mais do que isso. A loja está faturando muito mais. É difícil saber. Quando lançarmos o livro da Libertadores, vai ser uma febre. O livro do Brasileirão do ano passado está vendendo muito mais desde que a gente ganhou. Dá para dizer os efeitos diretos, mas os indiretos são muito grandes. E quantos torcedores de três, quatro ou cinco anos eu ganhei? É o consumidorzinho que vai comprar nossos produtos daqui a 15 anos.
Daqui até o Mundial, como o Corinthians irá explorar o título da Libertadores e a participação no Mundial comercialmente?Na
verdade, tenho dois produtos para vender. Um é o congelamento da
Libertadores em produtos, que é lançar camisetas e livros. Mas eu ganhei
de graça um outro produto que talvez seja ainda mais valioso, que é a
perspectiva de ganhar um Mundial. Vamos começar a fazer festas para a
preparação e a mobilizar a torcida no exterior a favor do Corinthians.
Imagine o que teremos de torcedor na Inglaterra. Teremos mais torcida
que o Chelsea [virtual adversário corintiano no Mundial de 2012]. Do
mesmo jeito que torcemos para o Manchester United contra o Palmeiras [no
Mundial de 1999], vamos ter a torcida do Manchester City, do Arsenal.
Vão ser todos nossos. Faremos esse trabalho e vamos começar a vender
camiseta lá fora.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mande seus comentários assim como as criticas também, mas as criticas construtivas. As sugestões e pedidos serão aceito com muito prazer. Os melhores comentários serão postados neste blogue. Assim como as criticas, sugestão e pedidos.