Paulo Henrique Chagas de Lima, mais conhecido como Ganso, é um jogador
badalado, carrega a mística camisa 10 do Santos e tem a responsabilidade
de ser o cérebro do Peixe. José Paulo Bezerra Maciel Júnior, o
Paulinho, não tem os mesmos holofotes do rival, é verdade, mas quando a
bola rola ganha inspiração de maestro. Foi assim na primeira semifinal
da Libertadores, na vitória do Timão por 1 a 0.
No duelo de “xarás”, o volante Paulinho apagou o brilhante Paulo
Henrique Ganso, deu passe decisivo para o gol de Emerson Sheik e viu o
seu Corinthians dar passo importante para a inédita decisão da
competição sul-americana. O jogo de volta está marcado para o dia 20, no
estádio do Pacaembu, em São Paulo. A equipe da capital joga pelo
empate.
Quem não tem Ganso, caça com Paulo
Depois de 19 dias de uma pequena cirurgia no joelho direito, Paulo
Henrique Ganso foi a grande surpresa na escalação do Santos para essa
partida. Por outro lado, no Corinthians, mais uma vez, a surpresa foi Paulinho. Se no time santista, o camisa 10 não fez nada demais no primeiro tempo. No corintiano, o camisa 8 brilhou.
Foi justamente dele a jogada que originou o gol de Emerson Sheik para o
Timão, aos 27 minutos de partida. Sim, Ganso, com 16 passes certos e
quatro errados na etapa inicial, foi mais acionado. Na teoria. Com 13
certos e os mesmos quatro errados, Paulinho foi bem mais eficiente.
Digamos, o protagonista da armação.
Enquanto Ganso, visivelmente sem ritmo, se destacou por uma tabela com
Neymar, uma falta sofrida perto da grande área e um chute maroto depois
de o juiz marcar impedimento de Kardec, Paulinho comandou o Corinthians.
O Timão, aliás, sob a batuta do volante, engoliu o Peixe. Mas Ganso não
reconheceu isso.
- Estamos tocando bem a bola, encontrando os espaços, mas a equipe do
Corinthians tem uma bela defesa. Vamos procurar melhorar no segundo
tempo.
Não foi bem assim. A única jogada do Santos era a bola alçada na área.
Sem sucesso. Bem diferente do Corinthians, que, sem medo, foi para cima,
dominou o meio de campo e apagou o rival, reflexo do apagado Ganso.
Orquestra não acompanha Ganso
É verdade que no segundo tempo Ganso tentou acordar. O meia se
aproximou mais dos atacantes, recuou para buscar o jogo, mas... a
principal jogada do Santos continuava sendo os cruzamentos. Facilmente
bloqueados pelo Corinthians. Enquanto isso, Paulinho só esperava para
ligar o contra-ataque alvinegro.
Mais participativo do que antes, Paulo Henrique Ganso parecia estar
sozinho em busca do empate. O restante do time da Vila Belmiro
continuava tímido. Inclusive Neymar, o melhor jogador do futebol
brasileiro na atualidade. Do lado corintiano, então, Paulinho deixou a
armação e voltou para a contenção.
Aliás, o Corinthians não era tão forte no segundo tempo justamente pela
pouca participação de Paulinho na parte cerebral da equipe. Os números
do jogo mostravam isso. Os 13 passes certos saltaram apenas para 14 até
os 30 minutos, enquanto os 16 do camisa 10 santista pularam para 36
nesse mesmo período.
Com um a mais a partir dos 31 minutos, por conta da expulsão do
corintiano Emerson Sheik, o Santos foi para cima. Desordenadamente,
cruzando, como sempre, e aproveitando pouco Ganso, seu principal
cérebro. A falta de luz na Vila Belmiro, no final do jogo, por 15
minutos, esfriou o Santos, que não conseguiu mais reagir. Melhor para o
Timão.

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