O Corinthians conta com um impressionante retrospecto para chegar à
decisão da Taça Libertadores pela primeira vez em sua história. Se o
talento de Neymar é a aposta do Santos para inverter a vantagem, o
Timão, que venceu o jogo de ida, quarta-feira passada, na Vila Belmiro,
por 1 a 0, conta com a força de sua defesa para ficar com a vaga. Na
história do principal torneio das Américas, disputado desde 1960, nunca
um clube teve uma média tão baixa de gols sofridos.
Castán e Chicão comandam a melhor defesa da história da Libertadores (Daniel Augusto Jr / Agência Estado)
Em comparação com os clubes que fizeram mais de dez partidas em uma edição do torneio, quem mais se aproxima do Timão é o Boca Juniors de 1977. Em sua caminhada até o título, o clube de Buenos Aires levou apenas três gols em 13 partidas, média de 0,23. Também campeão, o Nacional, do Uruguai, sofreu quatro em 13 rodadas (0,30) na edição de 1971.
- Não é só mérito da defesa. Nossa equipe é muito consciente, todo mundo ajuda na marcação. Isso facilita muito o nosso trabalho. A equipe inteira tem méritos – afirmou o zagueiro Leandro Castán.
Times que não chegaram à final também já conseguiram um grande desempenho defensivo. Mesmo assim o Timão versão 2012 é superior. Em 2010, o São Paulo teve quatro bolas em sua rede em 12 jogos (0,33). Entretanto, a queda veio nas semifinais justamente pelos gols sofridos. O Tricolor perdeu para o Internacional por 1 a 0, em Porto Alegre, venceu no Morumbi por 2 a 1, mas acabou eliminado por ter levado um casa.
Desde que assumiu o gol, Cassio não levou nenhum na Libertadores (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
O desempenho do Corinthians é melhor até contra os clubes que fizeram
menos de dez partidas. Até 1999, o campeão da Libertadores tinha o
direito de entrar na edição seguinte em fases adiantadas. O privilégio
chegou a ser ainda maior até 87, quando o vencedor estreava já nas
semifinais. Em 70, o Estudiantes-ARG ficou com o título disputando
somente quatro partidas e sofrendo um gol. Mesmo assim, a média é de
0,25 e não supera a do Timão.
Além da defesa, o Santos precisará superar outro obstáculo. O goleiro
Cássio, um dos responsáveis pela vitória do Corinthians por 1 a 0, na
Vila Belmiro, ainda não sofreu gols desde que virou titular. O goleiro
assumiu o lugar que era de Julio Cesar nas oitavas, contra o Emelec-EQU,
e passou ileso nas cinco partidas que disputou.
Dois detalhes dificultam ainda mais a missão do Peixe na próxima
quarta-feira, às 21h50m, no Pacaembu: O Corinthians não sofreu gols em
casa nos cinco duelos que realizou no mata-mata. Para eliminar o
Corinthians no tempo normal, o Santos será obrigado a fazer mais gols do
que adversário sofreu em toda a competição.
Um empate ou uma vitória
colocam o Timão na final. Se o placar do primeiro jogo se repetir, mas
em favor do Peixe, a decisão será nos pênaltis.

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