Além das 20 mil arquibancadas móveis, há outros itens exigidos pela
Fifa para o estádio da abertura do evento, como assentos VIPs, sistemas
de iluminação, sistemas de ar condicionado, equipamentos de informática,
telecomunicações, camarotes blindados e até um restaurante. Juntos,
todos esses itens podem elevar o preço da arena de R$ 820 milhões para
cerca de R$ 1 bilhão.
Na última sexta-feira, durante visita às obras da nova arena
corintiana, o presidente do clube, Mário Gobbi, foi questionado pelo UOL Esporte sobre quem
pagaria pelos gastos das estruturas da abertura, que estão formalmente
excluídos do orçamento de R$ 820 milhões previsto em contrato assinado
pelo Corinthians e pela empreiteira Odebrecht.
Presente no momento da pergunta a Gobbi, o ex-presidente do Corinthians
Andrés Sanchez adiantou-se em responder: "Tudo que estiver de fora das
estruturas fixas do estádio está fora dos R$ 820 milhões. Como são
equipamentos que são necessários para a abertura da Copa, ficarão a
cargo do Estado de São Paulo. Não sei se custarão R$ 60 milhões, R$ 70
milhões ou R$ 80 milhões".
A reportagem, então, levou o questionamento à secretaria extraordinária
do Estado de São Paulo para a Copa, que negou categoricamente que irá
pagar por qualquer estrutura da arena diferente das 20 mil arquibancadas
móveis, equipamento, aliás, que o governo não sabe quanto vai custar.
Por meio de nota, a pasta afirmou que: "O Governo de São Paulo se comprometeu a viabilizar as arquibancadas
temporárias necessárias para a abertura, e estuda diversas alternativas
para resolver essa questão. O valor deste investimento não está
definido. Os demais compromissos do Estado são na área de mobilidade
urbana".
O UOL Esporte questionou, então, porque o Corinthians
afirmava algo diferente disso, e se tal fato não incomodava as
autoridades públicas, já que deixa o contribuinte em dúvida sobre quanto
de seus tributos será comprometido com a obra. O governo, porém, não
respondeu até o fechamento desta reportagem.
Os equipamentos e instalações provisórias exigidas pela Fifa para o
estádio de abertura incluem camarotes blindados e climatizados, centro
de televisão (broadcasting compound) com 7.000 metros quadrados e
sistema de TI (tecnologia da informação) convergente e redundante: em
caso de pane elétrica ou travamento de hardware, outro entrará em
funcionamento imediatamente. Isso vale para geradores elétricos e
servidores. Também é exigido um restaurante exclusivo para convidados da
Fifa.
Para se ter uma ideia no custo envolvido na montagem dessas
instalações, em agosto do ano passado, quando a Odebrecht ofereceu um
orçamento de R$ 1,5 bilhão para o Corinthians, o então presidente Andrés
Sanchez disse que aquele valor era condizente com as exigências da Fifa
para um estádio de abertura de Copa do Mundo: "O estádio, sem a Copa do
Mundo e sem a abertura, custaria bem menos, porque a Fifa exige
hospitalidade para VIPs, não sei quantos mil lugares de imprensa (a Fifa exige 5.000 lugares de imprensa), que vai tudo para baixo depois, acessos para o VIP do VIP. Isso encareceu".
Posteriormente, foram retirados do orçamento oferecido pela Odebrecht
os tais itens exigidos pela Fifa para os seus VIPs, e a construtora
conseguiu chegar ao valor de R$ 820 milhões.

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