O principal assunto, nesta quinta-feira, foi o tira-teima. O gol de
Alecsandro, do Vasco, em São Januário, estava impedido ou não? Tite
desembarcou em São Paulo, após o empate em 0 a 0, com ar tristonho. Não
queria muita conversa. Alegou estar rouco.
Mas os jogadores sabem que o
momento de outro tira-teima chegou para o Timão, equipe de defesa quase
insuperável. Na próxima semana, decidirá vaga para a semifinal da
Libertadores, no Pacaembu, precisando de uma simples vitória. Dono da
melhor retaguarda da competição (apenas dois gols sofridos em nove
jogos), não foi vazada nenhuma vez em casa.
“Não digo que a nossa zaga é intransponível, mas mostra, a cada jogo,
sua força. Com essa fórmula, fomos campeões brasileiros e avançamos no
torneio continental”, constata Danilo.
A “fórmula” citada pelo meia é se trancar na defesa e arrancar um gol
na bola parada, como visitante. No Pacaembu, botar pressão, marcar na
saída de bola. Pode-se questionar se o estilo é bonito. Não se é
eficiente.
“A arquibancada ajuda demais. A torcida sempre nos leva às vitórias em casa”, ressalta o goleiro Cássio.
Porém.../ Quer dizer, quase sempre. O Timão foi
eliminado do Campeonato Paulista dentro do estádio municipal, diante da
Ponte Preta. Um jogo atípico, como fazem questão de enfatizar os
corintianos, mas, ainda assim, um contratempo. E sofrendo três gols...
Contra o ataque vascaíno, bem mais qualificado ofensivamente do que o
do Emelec (EQU), adversário das oitavas de final, a zaga corintiana vai
ter uma prova final. O time todo, na verdade, porque, por mais que
neguem, a conquista do continente é uma obsessão no Parque São Jorge.
“Estamos no caminho certo.
Claro que se tivéssemos empatado com gols,
seria melhor ainda. Vamos jogar em casa, dependendo de nós mesmos”,
afirma Paulinho, lamentando a situação do gramado de São Januário.
Até contra o Vasco, em mata-mata, é a hora da verdade. Em 2009, com
dois empates, a equipe paulista despachou o rival no caminho para a
conquista da Copa do Brasil. Mas foi o clube da Colina, em 2007, que
praticamente rebaixou o Corinthians, com uma vitória por 1 a 0. Onde? No
Pacaembu.
“Tem muita coisa em jogo. Todo mundo do elenco está pronto para a decisão da semana que vem. Não vamos vacilar”, promete Cássio.
Recurso da TV é confiável, segundo especialistas. Isso na teoria. Na prática, operação do recurso pode levar a errosO
recurso do tira-teima sempre foi visto como a prova definitiva. Se a
imagem em 3D mostrasse impedimento, não havia do que duvidar. Até
acontecer o gol anulado de Alecsandro, na quarta-feira à noite.
A
reconstituição da TV Globo mostrou o atacante em condição irregular. A
da Fox Sports foi na direção contrária: o lance teria sido legal. E
agora? O tira-teima é confiável?
“Confiável, é. É uma questão matemática. O cálculo é feito a partir
do atleta mais próximo da linha de fundo. Mas não é 100%, por depender
do sujeito que opera o computador. São frações de segundo e, se perder
exatamente o momento em que o lançamento é feito, pode dar errado”,
ressalta o professor e matemático da computação Paulo Cezar Pinto
Carvalho. Ele é um dos criadores do site Juiz Virtual (www.visgraf.impa.br/juizvirtual/), que simula os polêmicos tira-teimas.
Funcionamento/ Por meio de um programa de
computador, a imagem do gramado é programada em 3D e um especialista
precisa pegar os pontos fixos previamente inseridos no contexto (trave,
linha de fundo, riscos da área...) e juntá-los aos móveis (bola e
jogadores) para construir o lance a ser levado ao ar após ou durante a
partida. Qualquer imprecisão na reconstituição dessa cena vai influir no
resultado final.
“Essa tecnologia é mais complicada. Não é tão fácil quanto se pode
imaginar. O chip dentro da bola, para determinar se entrou no gol ou
não, está testado. Para a regra do impedimento, não”, afirma Paul
Hawkins, criador do programa Hawk-Eye (Olho de Falcão), utilizado para
dirimir dúvidas no tênis e em processo de teste pela Fifa para ser usado
no futebol.
“Se é jogada rasteira, fica bem mais fácil e a precisão é maior. O
computador consegue, rapidamente, medir a distância para a linha de
fundo. Se for bola aérea, quem estiver operando a máquina vai informar
se tronco, cabeça ou perna vão determinar o impedimento”, completa Pinto
Carvalho.
Consultadas pelo DIÁRIO, as assessorias de imprensa de Globo e Fox
Sports não se manifestaram, até o fechamento desta edição, sobre as
diferenças no lance de Alecsandro.

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