Não é exagero nenhum pensar que ele poderia estar vestindo a camisa
do inimigo. Foi o que quase aconteceu em setembro do ano passado. Já
havia começado a arrumar as malas para deixar Eindhoven, onde jogava
pelo PSV, da Holanda, e se mudar para o Rio de Janeiro.
“Estava tudo certo com o Vasco. Na última hora, não sei o que
aconteceu e o clube (o PSV) resolveu não liberar mais”, explicou o
goleiro, agora dono da posição no Corinthians.
Em quatro partidas
pelo time do Parque São Jorge, levou apenas um gol. Em três confrontos
pelo torneio continental, não foi vazado. Desta vez, pode ser ainda mais
importante, diante do que os cobradores de pênalti do elenco
constataram nos treinos dos últimos dias: é difícil superá-lo. Nos
arremates que não consegue defender, Cássio quase sempre acerta o lado,
pelo menos. “Tento aproveitar o meu tamanho e não adivinho o canto.
Espero até o último momento para pular, porque há muitos cobradores que
esperam um movimento do goleiro para definir”, disse.
Precisão que levou Alex a soltar um “assim é difícil”, após
desperdiçar uma cobrança no treino de finalização. Se é complicado
assim, imagine se ele estivesse do lado inimigo nesta quarta.
Sem se apavorar/ Cássio chama a atenção pela altura,
claro. Vai além disso. É sujeito calmo dentro e fora de campo. Fala
manso, devagar, nem parece estar a algumas horas de uma das partidas
mais importantes da carreira. Ainda mais pelo Corinthians, onde qualquer
possível eliminação do torneio continental eleva o drama à décima
potência.
“Não é novidade. Tenho de estar acostumado. Contra o
Emelec (nas oitavas), foi tão decisivo quanto será amanhã (quarta)”,
desconversou. Antes disso, a última vez em que esteve em campo num jogo
nervoso assim foi na rodada derradeira do Campeonato Holandês da
temporada 2010/2011. O PSV precisava vencer e ficou no 0 a 0. Placar
que, hoje, levaria a decisão aos pênaltis. Se acontecer, Cássio garante
que não vai ficar nervoso: “Meu aproveitamento é bom nos pênaltis,
mesmo. Pego bastante”. Para sorte do Corinthians, o PSV não o liberou para o Vasco.
Entrevista Cássio_ Goleiro do Corinthians
‘Tento descobrir como o rival bate pênalti’
DIÁRIO_ Você parece não ter sentido qualquer problema de falta de ritmo. O que, para goleiro, é importante, dizem...
CÁSSIO_ Não teve qualquer problema, não. Estou me sentindo bem. Deu tudo certo.
Mas você esperava que fosse dar tão certo assim?
Esperava. Você trabalha esperando pela oportunidade para jogar e pensa no melhor.
Como foi a história de quando você quase foi para o Vasco, no ano passado?
Eu estava sem jogar na Holanda e apareceu a oportunidade de jogar pelo Vasco. Acertamos tudo e achei que ia dar certo. Mas, no momento de assinar, o PSV resolveu não liberar mais. Outros times europeus estavam interessados, mas o clube nunca quis me negociar. Há quanto tempo você não atua numa partida tão importante assim?
No fim da temporada 2010/ 2011, o PSV precisava ganhar o último jogo para se classificar para a repescagem da Liga dos Campeões. Era um momento difícil e eu entrei. Ficou 0 a 0.
O seu aproveitamento é muito bom nos treinos de cobranças de pênalti. O que chama a atenção é que você não tenta adivinhar o canto e consegue, pelo menos, ir certo na bola.
Gosto de esperar até o último momento para perceber em qual lado o adversário vai chutar. Os cobradores sempre tentam fazer com que o goleiro saia antes. Facilita para eles.
Como você se prepara para um jogo decisivo como esse de amanhã (quarta)? Antes de dormir, pensa em como as coisas podem acontecer, assiste a filmes de partidas anteriores?
Penso bastante. Fico imaginando situações que podem acontecer. Sou uma pessoa católica e rezo bastante. Peço para que tudo dê certo. Também estudo as características do adversário. Quanto mais informações você tiver, melhor. Inclusive dos possíveis batedores de pênaltis?
Sim. Tento descobrir a maneira como o jogador bate, qual é o lado preferido dele, esse tipo de detalhe. São coisas que fazem parte de um jogo decisivo.
Ficha técnica
Corinthians
4-4-2
Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Alex; Emerson e Jorge Henrique
T: Tite
Vasco
4-4-2
Fernando Prass; Fagner, Renato Silva, Rodolfo e Thiago Feltri; Rômulo, Nilton, Juninho Pernambucano e Diego Souza; Eder Luis e Alecsandro
T: Cristóvão Borges
LIBERTADORES > QUARTAS — JOGO DE VOLTA
Onde: Pacaembu, em São Paulo, às 21h50
Juiz: Leandro Pedro Vuaden (RS)
TV: Globo e Fox Sports

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