O Corinthians não está preocupado apenas com o que vai
acontecer dentro do gramado de São Januário, no jogo de ida contra o
Vasco, pelas quartas de final da Libertadores. O clube paulista se
movimenta também para garantir a integridade física de jogadores e
torcedores no Rio de Janeiro, já que o confronto é considerado de alto
risco.
"Nós estamos contando com o apoio da Polícia Militar do Rio de
Janeiro. Estive em contato com o comandante do GEPE (Grupamento Especial
de Policiamento em Estádios) e eles garantiram que está tudo
controlado, que têm um esquema para que a gente não tenha problema na
saída do hotel, no trajeto e na chegada ao estádio", explicou o Coronel
Waldir Dutra, chefe de segurança do Corinthians.
As autoridades vão fechar algumas ruas e escoltar o ônibus do
Corinthians para evitar a repetição dos incidentes do Brasileirão de
2011, quando a equipe paulista, que disputava a liderança com os
cariocas, foi recepcionada com pedradas que deixaram os jogadores
assustados, embora nenhum vidro do veículo tenha sido quebrado.
"Testaram esse esquema no jogo do Lanús (time argentino que visitou o
Vasco nas oitavas de final) e deu certo. É lógico que a situação do
nosso jogo vai ser um pouco mais acirrada, mas eles estão preparados,
com bastante gente envolvida, com reforço", continuou Dutra, que terá
sua terceira conversa com membros da Polícia Militar do Rio de Janeiro
nesta quarta-feira. Ao contrário dos outros contatos, feitos por
telefone, desta vez haverá um encontro entre as partes.
Nas primeiras ocasiões, a segurança dos torcedores também foi
discutida. "Intermediei o contato dos líderes das nossas torcidas com o
pessoal do GEPE para que eles combinassem o horário de chegada a um
ponto de encontro", explicou o Coronel Dutra.
A intenção da Polícia é conduzir os corintianos ao estádio horas
antes do apito inicial e da chegada dos vascaínos. Em anos anteriores, a
entrada dos visitantes só foi liberada no segundo tempo, o que não deve
acontecer agora.
As torcidas organizadas dos clubes são inimigas. Em 2009, um homem
morreu após ser agredido em um confronto entre vascaínos e
corintianos. Segundo a Polícia, torcedores do time paulista armaram uma
emboscada na Marginal Tietê para o comboio de ônibus dos rivais, que
chegavam a São Paulo para um jogo pela Copa do Brasil, no
Pacaembu. Pouco tempo depois, um ônibus dos cariocas foi incendiado nas
imediações do estádio.
A situação é agravada porque a torcida cruz-maltina Força Jovem
possui aliança com a Mancha Verde, do Palmeiras, que recentemente se
envolveu em grande confusão com a Gaviões da Fiel. No dia 25 de março,
um enfrentamento entre membros das duas facções paulistas na Avenida
Inajar de Souza, Zona Norte de São Paulo, deixou dois palmeirenses
mortos. A possibilidade de uma vingança armada pelos torcedores
alviverdes, que juram terem sido vítimas de emboscada, faz com que as
autoridades redobrem a atenção.

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