Corintiano, maloqueiro e sofredor. Emerson
Sheik se identifica com a alcunha da torcida. Na infância, antes dos
gols e da fortuna que o apelidam, o garoto Márcio Passos de Albuquerque*
não tinha palácio. Não tinha nada.
Acompanhado do irmão do
atacante, Claudio, a reportagem do LANCENET! visitou e reviveu seu
berço, sua origem em Nova Iguaçu, periferia do Rio de Janeiro. Os
lugares são marcados pela pobreza.
Bem diferente do que o camisa
11 do Corinthians tem hoje, supercampeão no futebol e maior esperança da
Fiel contra o Vasco, no primeiro jogo das quartas de final da Copa
Santander Libertadores, às 22h, em São Januário, com transmissão em
tempo real pelo LANCENET!.
Para chegar onde Emerson nasceu e
cresceu, é preciso descer uma escada íngreme, no meio de um barranco. O
local está quase todo conservado, a não ser por alguns muros
construídos. A pequena casa, na época com um cômodo, hoje é habitada por
um casal. Há algumas décadas, Sheik vivia com a mãe e dois irmãos.
Tinha de tomar banho do lado de fora e “aprontava” para sobreviver.
–
A minha mãe era sozinha. Os filhos eram novos e era só a minha mãe
trabalhando para sustentar a gente. Era doméstica, ganhava pouco. Era
muito difícil. Tinhas umas plantações na casa do lado, o rapaz deixava a
gente pular para pegar, era quiabo, um monte de verdura, era muita
loucura! – relembra Claudio.
Sheik teve perseverança para mudar. Venceu a fome e a carência, perdeu amigos para o mundo das drogas, decidiu sair da cidade...
Felizmente,
nasceu com talento para o futebol. Diariamente, já encantava a todos no
bairro no campo usado pela Escolinha de Futebol do Flamengo, em Jardim
Nova Iguaçu. Numa dessas partidas, foi descoberto por Claudio Guadagno,
hoje empresário conhecido no futebol, ex-lateral-direito de Flamengo,
Palmeiras, São Paulo, Santos e Fluminense. Seu primeiro teste foi no São
Paulo.
– Emerson foi para lá de
ônibus, mas por um erro de comunicação entre o pessoal do clube e o meu
irmão, ele não foi autorizado a entrar. Ele teve de voltar, sem um
centavo na carteira. Voltou de carona de caminhão para o Rio. Não queria
mais ir para lá porque ficou decepcionado. Mas aí foi convencido e
voltou. O pessoal do São Paulo começou a gostar, dar moral, e ele pôde
iniciar a carreira de jogador lá mesmo – afirma o irmão.
Hoje,
Emerson se chama, com orgulho, de “faveladão”. De tempos em tempos, revê
os amigos e visita os locais onde nasceu e cresceu.
No ano
passado, fez questão de levar o filho Emerson, de 6 anos, para conhecer
a antiga casa. Na periferia, ainda moram, além do irmão Claudio, a irmã
Ligia e seu primeiro filho, Kevin, de 13 anos. Prova de que o sangue de
Sheik não abandonou as origens. Nem deve abandonar. Sofrimento? Nunca
mais.
Graças a Deus!
*De Márcio a Emerson
Emerson foi preso
em 2006, no Rio, ao tentar embarcar para os Emirados Árabes com
docu-mentos falsos. Seu nome na certidão de nascimento ver-dadeira é
Márcio Passos de Albu-querque, nascido em 6/9/1978. Nos documentos
fal-sos, virara Márcio Emerson Passos, de 6/9/1981.
Bate-Bola com Álvaro Victor PereiraProfessor de Educação Física e Matemática de Emerson, na escola
‘Não era excelente aluno, mas muito bom de bola!’
Como
era o Márcio Passos de Albuquerque, quando criança, na escola em que
você dava aula?Não era excelente aluno, não. Mas era educado, sempre foi
ordeiro, e nas atividades sempre foi um bom menino, nunca foi de
aprontar muito, de arrumar confusão. Era muito bom de bola, desde
pequeno mesmo. Apesar de que o irmão era tão bom quanto ele!
Era melhor na educação física?Pois é, eu dava aula para ele de Educação Física, e ele adorava as minhas aulas (risos)...
Já
via nele potencial para ser jogador profissional?Com certeza, desde
pequeninho tinha aptidão para ser um grande jogador. Graças a Deus,
seguiu carreira no futebol, está brilhando aí pelo Brasil inteiro...
Aqui e no exterior também, né?
Por qual time você torce?Torço pelo Vasco da Gama.
E vai torcer por quem agora?Pelo Vasco, mas pedindo a Deus que ilumine os caminhos do Emerson, para que ele faça boa partida.
Bate-Bola com Claudio Passos de AlbuquerqueIrmão de Sheik
‘Ele não pensava que podia chegar até aqui’
Depois
da infância sofrida, como é ver o irmão bem de vida?Tivemos muita
dificuldade e graças a Deus, Deus iluminou o caminho dele. Tudo foi para
a honra e glória do Senhor, nada mais.
Iam direto até o campinho
do Flamenguinho?Jogávamos todos os dias, porque tinha uma peladinha de
golzinho. Nos fins de semana era campo. O Emerson só era um pouco
brigão, né (risos)? Era habilidoso, bom de bola, e sempre tinha
confusões.
Ele sempre quis ser jogador?Acho que não pensava que
poderia chegar onde chegou. As coisas foram acontecendo. Quando ele
chegou no São Paulo, viu que tinha potencial e que poderia chegar lá.
Por que você não foi jogador?Deus preparou para ele mesmo.
Acha
que Emerson pode ser o cara do título da Libertadores? E qual o seu
palpite para o primeiro jogo?Eu acho sim. Por onde ele passou, no
exterior e no Brasil, foi campeão. A estrela dele é gigante! E acho que 1
a 0, gol dele, está bom.
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16 maio 2012
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