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16 maio 2012

Aposta do Timão, Sheik foi guerreiro em Nova Iguaçu

Corintiano, maloqueiro e sofredor. Emerson Sheik se identifica com a alcunha da torcida. Na infância, antes dos gols e da fortuna que o apelidam, o garoto Márcio Passos de Albuquerque* não tinha palácio. Não tinha nada.

Acompanhado do irmão do atacante, Claudio, a reportagem do LANCENET! visitou e reviveu seu berço, sua origem em Nova Iguaçu, periferia do Rio de Janeiro. Os lugares são marcados pela pobreza.

Bem diferente do que o camisa 11 do Corinthians tem hoje, supercampeão no futebol e maior esperança da Fiel contra o Vasco, no primeiro jogo das quartas de final da Copa Santander Libertadores, às 22h, em São Januário, com transmissão em tempo real pelo LANCENET!.

Para chegar onde Emerson nasceu e cresceu, é preciso descer uma escada íngreme, no meio de um barranco. O local está quase todo conservado, a não ser por alguns muros construídos. A pequena casa, na época com um cômodo, hoje é habitada por um casal. Há algumas décadas, Sheik vivia com a mãe e dois irmãos. Tinha de tomar banho do lado de fora e “aprontava” para sobreviver.

– A minha mãe era sozinha. Os filhos eram novos e era só a minha mãe trabalhando para sustentar a gente. Era doméstica, ganhava pouco. Era muito difícil. Tinhas umas plantações na casa do lado, o rapaz deixava a gente pular para pegar, era quiabo, um monte de verdura, era muita loucura! – relembra Claudio.

Sheik teve perseverança para mudar. Venceu a fome e a carência, perdeu amigos para o mundo das drogas, decidiu sair da cidade...

Felizmente, nasceu com talento para o futebol. Diariamente, já encantava a todos no bairro no campo usado pela Escolinha de Futebol do Flamengo, em Jardim Nova Iguaçu. Numa dessas partidas, foi descoberto por Claudio Guadagno, hoje empresário conhecido no futebol, ex-lateral-direito de Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos e Fluminense. Seu primeiro teste foi no São Paulo.

– Emerson foi para lá de ônibus, mas por um erro de comunicação entre o pessoal do clube e o meu irmão, ele não foi autorizado a entrar. Ele teve de voltar, sem um centavo na carteira. Voltou de carona de caminhão para o Rio. Não queria mais ir para lá porque ficou decepcionado. Mas aí foi convencido e voltou. O pessoal do São Paulo começou a gostar, dar moral, e ele pôde iniciar a carreira de jogador lá mesmo – afirma o irmão.

Hoje, Emerson se chama, com orgulho, de “faveladão”. De tempos em tempos, revê os amigos e visita os locais onde nasceu e cresceu.

No ano passado, fez questão de levar o filho Emerson, de 6 anos, para conhecer a antiga casa. Na periferia, ainda moram, além do irmão Claudio, a irmã Ligia e seu primeiro filho, Kevin, de 13 anos. Prova de que o sangue de Sheik não abandonou as origens. Nem deve abandonar. Sofrimento? Nunca mais.

Graças a Deus!
*De Márcio a Emerson
Emerson foi preso em 2006, no Rio, ao tentar embarcar para os Emirados Árabes com docu-mentos falsos. Seu nome na certidão de nascimento ver-dadeira é Márcio Passos de Albu-querque, nascido em 6/9/1978. Nos documentos fal-sos, virara Márcio Emerson Passos, de 6/9/1981.

Bate-Bola com Álvaro Victor PereiraProfessor de Educação Física e Matemática de Emerson, na escola
‘Não era excelente aluno, mas muito bom de bola!’

Como era o Márcio Passos de Albuquerque, quando criança, na escola em que você dava aula?Não era excelente aluno, não. Mas era educado, sempre foi ordeiro, e nas atividades sempre foi um bom menino, nunca foi de aprontar muito, de arrumar confusão. Era muito bom de bola, desde pequeno mesmo. Apesar de que o irmão era tão bom quanto ele!

Era melhor na educação física?Pois é, eu dava aula para ele de Educação Física, e ele adorava as minhas aulas (risos)...

Já via nele potencial para ser jogador profissional?Com certeza, desde pequeninho tinha aptidão para ser um grande jogador. Graças a Deus, seguiu carreira no futebol, está brilhando aí pelo Brasil inteiro... Aqui e no exterior também, né?

Por qual time você torce?Torço pelo Vasco da Gama.
E vai torcer por quem agora?Pelo Vasco, mas pedindo a Deus que ilumine os caminhos do Emerson, para que ele faça boa partida.

Bate-Bola com Claudio Passos de AlbuquerqueIrmão de Sheik
‘Ele não pensava que podia chegar até aqui’

Depois da infância sofrida, como é ver o irmão bem de vida?Tivemos muita dificuldade e graças a Deus, Deus iluminou o caminho dele. Tudo foi para a honra e glória do Senhor, nada mais.

Iam direto até o campinho do Flamenguinho?Jogávamos todos os dias, porque tinha uma peladinha de golzinho. Nos fins de semana era campo. O Emerson só era um pouco brigão, né (risos)? Era habilidoso, bom de bola, e sempre tinha confusões.

Ele sempre quis ser jogador?Acho que não pensava que poderia chegar onde chegou. As coisas foram acontecendo. Quando ele chegou no São Paulo, viu que tinha potencial e que poderia chegar lá.
Por que você não foi jogador?Deus preparou para ele mesmo.

Acha que Emerson pode ser o cara do título da Libertadores? E qual o seu palpite para o primeiro jogo?Eu acho sim. Por onde ele passou, no exterior e no Brasil, foi campeão. A estrela dele é gigante! E acho que 1 a 0, gol dele, está bom.

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