Andrés Sanchez está se despedindo do Corinthians. Ele tem mandato até fevereiro, mas vai tirar licença para poder assumir a Diretoria de Seleções da CBF. Seu último ato como presidente, com os olhos marejados, foi a inauguração do hotel no CT Joaquim Grava. Após conquistar o título brasileiro de 2011 e encaminhar a construção do Itaquerão, é irrefutável que Sanchez fechou com chave de ouro a sua administração:
“Como já tinha dito, deixo o Corinthians e agora quem assume é o Roberto de Andrade, até a eleição. Eu achava que as eleições tinham de ser em dezembro, porque aí o novo presidente teria tempo para montar o time e resolver as coisas. E não quis briga com as pessoas para não acharem que eu queria dar o golpe. Estou me licenciando contente por um lado e triste por outro, mas vou estar sempre próximo”, finalizou.
A partir de agora, a grande dificuldade de Andrés Sanchez será “tirar a camisa do Corinthians”. Sim, como Diretor de Seleções, ele não pode mais manifestar sua paixão, como na reposta que deu sobre a final do Mundial de Clubes, entre Santos e Barcelona:
“Não sei para que time torcer . Não vou nem assistir ao jogo”, desdenhou Sanchez, antes de se justificar, irritado. “Porque sou corintiano”, complementou o novo cartola da CBF, cuja família é descendente de espanhóis.
Aqui mesmo neste blog, já houve leitores que compararam Andrés Sanchez ao ex-presidente do Vasco Eurico Miranda. Eles têm, de fato, muita coisa em comum, principalmente pela impetuosidade. Eurico, assim como Sanchez, era o tipo de cartola que dava a vida para defender os interesses do clube. Não havia meio termo com ele.
Outra coincidência: Eurico Miranda também teve uma experiência como diretor da CBF, em 1989, convidado na época por João Havelange para ajudar seu genro, o ainda inexperiente Ricardo Teixeira.
Durou menos de um ano a passagem de Eurico pela CBF. Seu trabalho foi positivo. Foi dele a idéia da Copa do Brasil, competição baseada no modelo europeu. Hoje é um torneio consagrado que dá oportunidade para clubes de todos os estados de disputar uma vaga na Libertadores da América.
Mas tem um detalhe que deve ser ressaltado: mesmo com o seu sangue cruzmaltino tão latente e evidente quanto o corintianismo de Sanchez, Eurico nunca misturou ou favoreceu o Vasco enquanto esteve na CBF.
Andrés Sanchez, portanto, se tem mesmo o desejo de ser um dia o substituto de Ricardo Teixeira, precisa aprender a ser “politicamente correto”.





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