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27 fevereiro 2010

O verdadeiro condutor



“Na final da Copa do Brasil tive que parar o ônibus na Paulista, perto do Pacaembu. Foi o momento mais inesquecível porque tinha gente que parava, fazia reverência pro ônibus. Vi gente passar a mão na lataria e se benzer. Vi gente rezando ajoelhada em frente o ônibus. Era homem, mulher. Foi a coisa mais impressionante que já aconteceu nesses dez anos”.

E coisa impressionante é o que não falta pra José Carlos Messias contar nesses dez anos em que ele é o motorista oficial do time do Corinthians. Conta, por exemplo, que Chicão, Willian e Alessandro sentam sempre nos últimos bancos. Da turma do “fundão” fazem parte ainda Felipe, Edu, Jorge Henrique e Ronaldo.

Aliás, o Fenômeno é o DJ oficial do possante. Segundo Messias, foi Ronaldo que inventou de botar caixa de som no veículo. Na parada de sucesso do ônibus do Timão toca muito rap mas a “campeão de audiência” é a Banda Dejavu.

O mais calado da turma é o Bruno Otávio. Já Dentinho e Rafael Santos são os mais bagunceiros. O Edu é o mais nervosinho. Mas quem bagunça o coreto é a dupla dinâmica mister Ronaldo e mister Roberto Carlos (aliás, seu Messias só se refere assim aos dois).

Seu Messias diz que é muito bem tratado pelos “meninos”. E só tomou bronca uma vez…

…”Coloquei um filme sobre máfia russa e era meio pesado. Ali eles reclamaram, mas na boa, tipo “pô Messias, tá de sacanagem com a gente”.

Mano Menezes não conversa sobre tática ou esquema de jogo dentro do ônibus. E, segundo Messias, o técnico do Corinthians nunca deu bronca em ninguém, mesmo que o resultado do jogo tenha sido ruim. ”Claro que quando perde, volta todo mundo calado o que logo é superado. Mas quando ganham, o clima é de muita brincadeira - e o Mano participa”, conta o motorista.

Messias conta também que a ida é sempre igual. Todo mundo vai junto pro estádio. Mas na volta depende de onde é o jogo. Se for na capital, muitos jogadores volta pra casa no próprio carro ou com alguem da família. “Quando o jogo é aqui em São Paulo voltam só uns 4 ou 5 jogadores comigo”, diz o orgulhoso motorista do Timão que trata seu instrumento de trabalho como se fosse uma jóia rara. E é.

O ônibus é novinho em folha. Chegou ao Parque São Jorge em 2009. Todo estiloso por fora, é um luxo por dentro. Tem uma geladeira, três televisões e veio com um ponto para notebook - mas Messias mandou adaptar pra cinco. Também foram instalados porta-lanche. O banheiro é maior e mais confortável que banheiro de avião. O busão do Timão é todo automático e muito fácil de dirigir, de acordo com o comandante. Messias conta que os jogadores adoram o ônibus. Ah, e Messias também entrega o apelido de Souza: Caveirão. “Porque ele é do Rio e lá tem Caveirão, né”?

Messias diz que já está acostumado com a missão importante que tem. Mas não deixa de mostrar orgulho ao contar como é o seu dia-a-dia e sobre a responsabilidade que é conduzir o Corinthians pelas ruas de São Paulo. “Com todo respeito, se to levando você é uma coisa. Mas se to levando mister Ronaldo e mister Roberto Carlos, é outra bem diferente”. E como é seu Messias. A gente entende. Acelera seu Messias, que hoje é dia de estreia na Libertadores. Vai com Deus e que São Jorge proteja o nosso avião. Ou menor, nosso ônibus!

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