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Adaptado a Belo Horizonte, Montillo espera repetir apresentações das última temporadas
Foto: Washington Alves / Vipcomm/Divulgação
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Em entrevista ao Terra, o jogador mostra que se sente totalmente em casa morando em Belo Horizonte. Acostumado com a vida na capital mineira, ele diz que já está adaptado com a distância da Argentina. O meia só sofre, de vez em quando, com o assédio excessivo dos torcedores quando resolve sair de casa para passear. Mas nem assim reclama.
Após quase sair da Toca da Raposa para seguir para o Corinthians no início deste ano, Montillo afirma que a negociação já faz parte do passado e não passou de uma "novela de verão". Sem guardar mágoa de ninguém, ele prefere focar no presente e na equipe do Cruzeiro. Na entrevista, o jogador fala ainda sobre a seleção argentina, sobre as comparações entre Messi e Neymar, além de relembrar o drama vivido com seu filho Santino, ano passado.
Confira a entrevista com Montillo na íntegra
Terra - O que você curte fazer em Belo Horizonte? Que restaurantes frequenta? Costuma ir a casas noturnas ou é mais caseiro?
Montillo - Eu saio, às vezes, com minha mulher e meus filhos. Minha mulher não gosta de ter babá, então a gente vai para todo lado com os meninos. Prefiro ir a restaurantes que têm brinquedos para eles, porque senão fica difícil. As pessoas que têm crianças pequenas sabem como é complicado, porque eles fazem bagunça o tempo todo. Gosto de jantar no BH Shopping, que moro perto, ou no bairro de Lourdes e na Savassi. Mas, muitas vezes, fico em casa mesmo.
erra - Consegue sair na rua sem sofrer com o assédio de torcedores cruzeirenses?
Montillo - Quando eu saio com minha família quase sempre não tenho sossego. Você sai no shopping ou para jantar e todo mundo quer autógrafo, pede para tirar uma foto. Mas, não tem problema nenhum. Às vezes fico meia hora atendendo torcedores aqui na Toca da Raposa 2 após os treinos. Faz parte do futebol. Se você é ídolo dentro de campo tem que ser ídolo fora também. Eu compreendo, já que quando eu era menino eu não tive oportunidade de encontrar com um ídolo.
Terra - Como faz para matar a saudade da Argentina na capital mineira?
Montillo - Há oito anos que não moro na Argentina, saí muito cedo de lá, já me acostumei a morar fora. Gosto de sair para jantar com minha família, meus amigos que fiz aqui no Brasil. Tem muita coisa parecida com a Argentina, se bem que as comidas são diferentes do meu gosto. Eu não tenho possibilidade de comprar ervas para chimarrão, de comprar as carnes que como lá na Argentina. Eu só vou para lá nas férias, ou agora quando fui para a seleção e fiquei dois dias em Buenos Aires. Eu tenho que acostumar a conviver com isso, senão eu fico com muita saudade da Argentina e não consigo trabalhar.
Terra - Sofre ainda com a questão da língua portuguesa ou já se sente totalmente fluente no português?
Montillo - Já está bem melhor. Não sei se dá para compreender tudo que falo, mas melhorei bastante desde quando eu cheguei aqui (em 2010).
Terra - Seu filho mais novo, Santino, teve aquele problema grave de saúde. Precisou fazer duas cirurgias delicadas. Como ele está hoje em dia? Quase um ano depois, o que lembra do drama que sofreu e o que você e sua família tiraram de positivo de tudo que aconteceu?
Montillo - Eu tento falar do que aconteceu como algo que passou e que não vai acontecer mais. Eu sempre agradeço a todos, não só cruzeirenses, mas torcedores que se preocuparam com o Santino. Foi um momento difícil, mas eu tento lembrar os momentos felizes, quando ele voltou para casa após a cirurgia. Agora ele começou a escola no início do ano, agora está começando a andar e está bem melhor. Eu peço aos torcedores e ao povo brasileiro que continuem acompanhando. Ele já não teve nenhum problema após a última cirurgia do coração. E a gente comemora a cada passo que ele melhora.
Terra - Além deste drama, no início do ano, você esteve envolvido na novela em que poderia ir parar no Corinthians. Meses depois, vendo o time paulista perto de disputar o Mundial e com o Cruzeiro em uma posição intermediária na tabela, se arrepende da decisão? Ou crê que no Corinthians não teria o mesmo espaço que tem hoje?
Montillo - Eu vivo o presente. O que aconteceu com o Corinthians já passou. Na época, o presidente do Cruzeiro não liberou e tem o direito de fazer isso. Eu sou jogador do Cruzeiro. Mas não fiquei com raiva de ninguém. Tento fazer o melhor em campo. O Corinthians está de parabéns de conquistar a Libertadores e tem seus jogadores que vão disputar o Mundial de Clubes. Eu nunca me arrependo de nada. Eu estou bem aqui, já fiz mais de 120 jogos. Daqui para frente não sei o que vai acontecer, mas o que se passou com o Corinthians foi "novela de verão", já ficou no passado também.
Terra - Com a recusa do Alex, que poderia dividir a função de estrela da equipe com você, qual responsabilidade você crê que assume neste momento? Crê que pode marcar uma era na equipe celeste? Pretende continuar por mais anos e anos como camisa 10 do time?
Montillo - Eu não sei o que vai acontecer no futuro. Desde quando eu cheguei aqui no Cruzeiro perguntavam sobre Sorín e se eu queria repetir a história dele. Eu tenho contrato assinado até 2015. Por enquanto, eu vivo o dia a dia: treinar e fazer o melhor dentro de campo. Depois, quando eu sair, a gente analisa o que fiz de bom aqui.
Terra - Como você vê o atual momento da seleção argentina. O Alejandro Sabella (técnico) tem dado boas oportunidades a jogadores que atuam no Brasil, mesmo fora dos confrontos do Superclássico das Américas. Recentemente ele convocou Barcos (Palmeiras) e Guiñazu (Inter) para Eliminatórias. Você vê esta como sua grande oportunidade de ir a uma Copa do Mundo?
Montillo - Eu fico feliz pelo Barcos e pelo Guiñazu, que vêm entrando em quase todos os jogos das Eliminatórias. Sou amigo deles e, na verdade, torço por eles, porque fizeram por merecer. Eu tive a oportunidade de ser convocado para a disputa do Superclássico das Américas, infelizmente não tive a chance de jogar em Goiânia, fiquei no banco de reservas, e o outro jogo foi cancelado. É um sonho. Com certeza todo mundo quer fazer parte das Eliminatórias porque é a preparação para o Mundial. Então tenho que fazer o melhor aqui no Cruzeiro e, quem sabe, posso voltar a ser lembrado para a seleção.
Terra - Muito se fala no Brasil do duelo entre Messi e Neymar, de quem será melhor. Na sua opinião, o jogador santista pode chegar um dia a se igualar ou ultrapassar o Messi?
Terra - Eu sempre falo que para mim o Messi é o melhor. Neymar teve a má sorte de nascer quando Messi está jogando, senão, com certeza, seria o melhor do mundo. O mesmo poderia acontecer com Cristiano Ronaldo. São os três melhores atualmente. Eu considero Neymar acima de Cristiano Ronaldo. Só que Messi não para de nos surpreender. A cada dia joga melhor, cada dia faz mais gols. Então é difícil hoje alguém superar Messi. Mas o Neymar é mais novo, tem muita coisa para aprender ainda, tem caminhos a percorrer na carreira.
Terra - Jogando no futebol brasileiro, você crê que Neymar acerta em permanecer aqui?
Montillo - Eu acho bom, até porque o Mundial vai ser aqui, né? O Campeonato Brasileiro está muito bom. Se você procura em outros países não há a mesma competitividade daqui. São doze times que podem se sagrar campeão. Em nenhuma liga no mundo existe isso. Sempre vai existir essa dúvida se vale a pena continuar aqui. Mas aos poucos está mudando. Se ele decidiu ficar aqui é porque está feliz no Santos, já conseguiu vários títulos importantes, campeão da Libertadores. A cada jogo ele faz a diferença, e faz muita diferença quando está em campo.
Fonte: Terra






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