Júlio César está no Corinthians desde a categoria de base e em 2005 passou a integrar o elenco profissional do clube. A identificação com o clube é tão grande que o jogador não pensa em abandoná-lo jamais. “O Corinthians é a minha segunda casa. Eu não consigo me ver longe”, disse o camisa 1 ao band.com.br, após participar do programa "SP Acontece".
O goleiro falou também como lidou com as críticas e garante que sempre foi querido pela Fiel. “Por ter sido da base, a torcida corintiana sempre gostou de mim e me apoiou muito, mas agora de uma forma especial por ser campeão”, declarou.
Confira a entrevista:
Qual é o balanço que faz deste ano?
Um ano foi muito bom, muito importante pessoalmente e também para o Corinthians. Apesar de começarmos o ano turbulento com a Libertadores, acabamos de uma forma brilhante.
Para o ano que vem, você acha que está mais próximo da Seleção?
É sempre difícil falar de Seleção pelos goleiros que têm. Eu espero fazer o meu trabalho. É o meu sonho e, se eu puder realizar no ano que vem, será um ano que ficará marcado na minha história.
Você sente que conquistou a torcida depois do título?
Espero que sim. Foi um título muito importante. Fazia seis anos que o Corinthians não ganhava. Por ter sido da base, a torcida corintiana sempre gostou de mim e me apoiou muito, mas agora de uma forma especial por ser campeão.
Como você lida com as críticas?
É sempre difícil e ruim ligar a TV, ler um jornal, internet e ver que estão falando mal de você e te criticando. Mas um jogador de futebol tem que responder dentro de campo. Não adiantavocê ouvir as críticas e querer rebatê-las. Minha função foi trabalhar mais, jogar bem e levar o Corinthians a ser campeão brasileiro. Só assim elas [críticas] param.
Na época em que desfalcou o Corinthians por conta de uma luxação no dedo, você temeu perder a sua titularidade?
Sempre é complicado. A gente sabe que é difícil. Entra um outro profissional, com qualidade, capacitado, para fazer aquilo que ele quer fazer, esperando uma oportunidade, sempre é duro. Eu estava tranquilo porque estava saindo do time não por causa de uma deficiência técnica, mas por causa de uma lesão. Mas eu sabia que podia perder a titularidade. Temi, sim, mas ainda bem que deu tudo certo.
Quais as diferenças do título de 2005 para o deste ano?
Teve diferença. Em 2005 eu estava, mas só joguei uma partida. Este ano fui titular, só não fui quando estava machucado. 2005 era uma equipe com muita estrela, tinha um time bom também. Mas este ano foi muito especial porque, além de tudo, fora de campo, era um time muito unido. É um time que todo mundo se gosta, todo mundo é amigo. A pressão este ano estava muito grande porque o ano começou com a derrota na Libertadores. E acabou com este título. Conseguimos acabar o ano bem e ter as férias tranquilas.
Com a conquista do Brasileirão, você acha que o Corinthians vai estar mais pressionado ainda na Libertadores do ano que vem?
A pressão na Libertadores vai ter sempre, enquanto não ganharmos. A gente sabe que eles [torcedores] vão querer e vão cobrar. Aliás, já estão cobrando. O torcedor sempre cobra. Se a gente conseguir fazer uma boa Libertadores e ganhar, a gente sabe que ficará para sempre na memória.
Você está há mais de dez anos no Corinthians. Você se sente identificado com o clube?
Eu sou corintiano. O Corinthians é a minha segunda casa. O Corinthians para mim é como se fosse o quintal da minha casa. Sou totalmente ambientado e familiarizado com todos os funcionários e todo mundo que trabalha lá. Então eu não consigo me ver longe.
Então você quer ter uma longevidade no clube, assim como Marcos e Rogério Ceni?
Sim. Tem muito caminho a ser percorrido ainda. Mas a minha intenção é esta: a cada ano poder provar mais e mais, com conquistas e boas atuações, para que eu possa ficar lá e eu não precise sair nunca.
E a concorrência do Cássio, caso ele venha para o Corinthians, te preocupa?
Sempre preocupa porque são jogadores de qualidade. É um grande goleiro que vai vir para buscar o espaço dele. Se for uma disputa sadia e isso me motivar, sempre é importante. Mas eu sei que no Corinthians a gente nunca pode vacilar. Independente se é o Cássio ou Danilo, eles são goleiros que querem ser titulares. Então sempre tem que manter um bom nível de atuação para ficar.
Tem algum atacante que antes do jogo você pensa ‘este vai dar trabalho’?
Tem, mas eles não são atacantes. O Marcos Assunção e o Juninho Pernambucano, pela batida na bola deles, eu falo ‘hoje vai ser um dia chato’.