Com maioria corintiana, vereadores votarão pela entrega do estádio à iniciativa privada. Kassab e câmara ainda precisam dar aval
A partir da próxima semana, o Corinthians começará a saber se poderá concluir o projeto de arrendamento do Pacaembu. A subcomissão de vereadores apresentará terça ou quarta-feira o relatório de estudo feito nos últimos meses sobre a viabilidade de repassar o estádio à iniciativa privada.
O relator é o vereador Antônio Goulart (PMDB), conselheiro vitalício do Timão e membro da comissão do centenário. Pela estreita relação com o clube do Parque São Jorge, o político acredita que o projeto deva ser aprovado pelos outros dez membros da sub (o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, faz parte). Curiosamente, dos 11 vereadores participantes, nove são corintianos.
Vamos apresentar o relatório na terça ou no mais tardar na quarta-feira. Mas não posso revelar antes o meu voto – afirmou Goulart durante evento de apresentação do campanha corintiana rumo ao centenário, em 2010.
O estudo começou a ser feito em abril de 2009 e contou com a participação de diversos segmentos da sociedade. Uma das alas contrárias é exatamente a Associação de Moradores do Pacaembu, preocupada com o aumento da circulação de pessoas pela região, sobretudo em dias de jogos e shows.
A aprovação do arrendamento, porém, não será tão simples. Depois de passar pela subcomissão, o projeto precisará ganhar também o aval do prefeito Gilberto Kassab. Feito isso, uma nova votação vai ser realizada na câmara dos vereadores. Só depois disso acontecerá a abertura da licitação. Um veto em qualquer das instâncias acaba com a possibilidade.
Caso a entrega do estádio à iniciativa privada seja aprovada, o Corinthians surge como o grande candidato. Segundo Goulart, nenhum outro clube ou empresa apareceu interessado em arrendar o Pacaembu. A prefeitura de São Paulo gasta cerca de R$ 3 milhões anualmente na manutenção do estádio.
Fora o aluguel pago pelo Corinthians (cerca de R$ 2 milhões), a prefeitura desembolsa mais R$ 1 milhão para fazer toda a manutenção – explicou o vereador.
Nas contas do Corinthians, serão necessários cerca de R$ 100 milhões para reformar o estádio, que ainda não poderá ser totalmente modificado por causa do tombamento histórico. Além disso, o clube gostaria de administrar apenas a área do futebol por 30 anos e não todo o complexo esportivo (piscina e outros esportes), o que não agrada ao prefeito Kassab. Outra possibilidade é o Corinthians firmar um acordo com empresas para a construção de sua própria arena. Propostas chegaram à diretoria, mas o assunto é tratado com cautela, principalmente depois de inúmeros fracassos em negociações.
O Corinthians aceita fazer estádio até em marte se for necessário. Oficialmente, estamos negociando só com o Pacaembu.
A gente recebe e ouve toda proposta, mas é tudo extra oficial. Vamos fazer o estádio, mas não sei se será daqui cinco, dez ou 100 anos. Já fomos muito enganados e não quero enganar meus filhos, que são corintianos.
Se eu não quero enganá-los, não quero enganar a torcida. Em 100 anos, vimos mais de 50 projetos. Quando menos falarmos de estádio agora, será menos frustrante – disse o presidente Andrés Sanches.





