“Ganhar a Libertadores da América é o principal objetivo do Corinthians em 2010, mas não é uma obsessão”. A frase é de Mário Gobbi Filho, diretor de futebol que anunciou o início de um novo ciclo no clube. “Ele já estava previsto e vai até o final do torneio sul-americano”, disse neste sábado durante o treino do time que vai enfrentar o Avaí neste domingo, no Pacaembu.
Ele conversou com os repórteres para dizer que, ao contrário do que torcedores corintianos colocaram em faixas e cartazes num protesto nesta sexta-feira, o Corinthians não está fazendo o desmanche de seu time campeão paulista e da Copa do Brasil deste ano.
Gobbi fez o que os estrategistas políticos chamam de “vacina”. Antes que a versão do desmanche ganhe força, ele resolveu esclarecer. A venda de Douglas, André Santos e Cristian eram, segundo o dirigente, inevitáveis”por causa da “cultura do futebol”.
No discurso de Gobbi, a expressão “cultura do futebol” significa entender que é impossível um clube brasileiro segurar seus atletas depois que eles atraem os euros dos clubes europeus. O diretor garantiu, no entanto, que essas defecções estavam no planejamento.
O dirigente conversou com o Blog do Boleiro sobre este assunto e também falou sobre a possível vinda de Riquelme, atleta do Boca Juniors, para o time corintiano.
Blog do Boleiro – A venda de André Santos, Douglas e Cristian não é um desmanche?Mário Gobbi – Desmanche não é a palavra correta. Quando falam que o Corinthians faz um desmanche, está implícito que a diretoria vendeu o atleta porque quis ou foi incompetente e não conseguiu segurá-lo. E não é o nosso caso.
Então o que é?No final da temporada passada conseguimos manter a mesma equipe que subiu para a Série A. Fizemos uma engenharia salarial, conseguimos manter os jogadores. Mas sabíamos que agora em julho, alguns iriam sair. Porque a procura de fora era grande. E não dá para competir quando nossa moeda vale um e a deles vale três.
É impossível manter um grupo vencedor por mais de um ano?Hoje, estas negociações são periódicas. O clube que monta um grande time, ganha títulos, fatalmente vai atrair interessados em seus jogadores. Mas nós já prevíamos isso.
Já?Sim. Estamos iniciando um novo ciclo que vão se estender até a Libertadores da América do ano que vem. Nosso objetivo em 2008 era voltar à Série A. Para este ano, nós queríamos a vaga na Libertadores para disputá-la no ano do centenário do Corinthians. Agora vamos trabalhar para este outro objetivo.
A Libertadores é o grande objetivo de 2010?Sim, mas não vamos transformar este objetivo numa obsessão. Estamos trabalhando para montar um time forte, com condições de brigar pelo título. Só não pode fazer da conquista da Libertadores uma obsessão, que crie uma pressão irracional. Temos que ter sabedoria. No futebol, paixão, amor e emoção não ganham nada.
E o torcedor? Não dá para pedir para que ele use a sabedoria e abra mão da paixão.Paixão é para a torcida. Para nós dirigentes, é preciso ter sabedoria, clama para poder planejar direito com muita tranqüilidade.
Riquelme vem?Não sabemos. Não há nenhuma atuação do Corinthians nesse caso. O que sabemos é que um grupo de empresários estaria tentando trazê-lo. Se ele vier, não vamos recusar né? (risos).
E o volante Lucas, do Liverpool?Com o jogador está tudo bem encaminhado, mas é uma transação muito difícil, porque o Lucas vai precisar sair do Liverpool com um acordo, sem ônus financeiro algum e isso é muito difícil.
A idéia de vocês é trazer os reforços ainda neste semestre?Uma parte sim, nos próximos dias. Estamos trabalhando nisso. Não falamos antes de fecharmos negócio por respeito ao torcedor. Depois, em dezembro ou começo de janeiro, vamos trazer mais alguns atletas.
Vai dar tempo para o técnico Mano Menezes montar uma equipe que funcione na Libertadores?Eu costumo dizer que o Corinthians conseguiu três títulos em seis meses. A equipe da Série B foi mantida, ganhou a Copa do Brasil e não trouxemos nenhuma estrela. O Mano disse uma vez, quando estávamos montando o time, que é possível se montar uma equipe forte sem estrelas.
Existem muito bons jogadores que, juntos, formam um grupo competitivo. O que posso dizer é vamos formar um time tão bom quanto o que ganhou a Copa do Brasil.





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