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03 agosto 2009

ex-Timão

ex-Timão, revela dificuldades na Ucrânia e diz que pensa em voltar um dia. Meia conta como é a vida de quem troca o país do futebol para atuar em um campeonato que não tem projeção
A maioria dos meninos brasileiros sonha se tornar jogadores de futebol para atuar na Europa. Depois que o esporte se tornou um dos principais meios de ascensão social, a paixão pela bola aumentou ainda mais nos campos espalhados pelo Brasil. Mas nem sempre a realidade é tão bonita assim. Muitas vezes, trocar a vida "comum" pelas chuteiras faz com que um jogador percorra caminhos difíceis e quase que desconhecidos. Tem sido assim com o meia-atacante Willian, que trocou o Corinthians pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde desde 2007 luta para conquistar títulos e não ser esquecido.
A infância difícil muitas vezes influi na decisão do jogador. Cansado de ter o dinheiro contado e ver parentes passando necessidades, aceitam uma oferta milionária, ainda que seja para jogar em lugares com pouca visibilidade. Willian passou por essa encruzilhada ainda cedo, com 19 anos.
Estava há dois anos no Corinthians, jogando bem. Aí veio a oferta da Europa. O Shakhtar Donetsk ofereceu 19 milhões de dólares ao clube brasileiro e mais um excelente salário para o meia. Como recusar? - Não dava. Minha família batalhou muito para me ajudar. Tive todo apoio.
Era a hora de sair. Conversei com meu pai e disse que a Ucrânia não era o que eu queria, mas o dinheiro era bom, sabe? Fiz um investimento. O Shakhtar mudou a minha vida e a da minha família da água para o vinho. Sou muito grato. Mas às vezes penso com certa tristeza, porque não é fácil trocar o país do futebol para jogar em um lugar sem visibilidade - afirmou Willian por telefone.

O Campeonato Ucraniano está longe de ser emocionante. Criado em 1992, tem no Dínamo de Kiev o seu maior vencedor, com 13 conquistas. Nos últimos anos, o Shakhtar, com quatro, vem tentando atrapalhar a hegemonia do time da capital. O restante é... - Aqui, o campeonato é duro de se jogar. Muitos estádios ficam vazios, não há aquele calor do torcedor. Nem sempre os campos são bons. Por essas e outras, algumas vezes olhei para trás e pensei que poderia ter sido melhor se tivesse esperado mais um pouco. Hoje, poderia estar em um clube maior, atuando em outro centro. Mas Deus sabe o que faz e, apesar disso tudo, sou feliz aqui - disse.

A sensação melhorou muito depois que Willian deitou e rolou na temporada passada. Foi titular na maioria dos jogos, fez gols importantes e ainda comemorou o inédito título da Copa da Uefa. A conquista trouxe alegria, mas também aumentou a responsabilidade. O time está na terceira eliminatória da Liga dos Campeões, na qual tem o Timisoara pela frente. No jogo de ida, na Ucrânia, deu empate em 2 a 2. A volta será na Romênia, na próxima quarta-feira.
Foi maravilhoso. A festa foi incrível. Nunca tinha visto nada parecido. Foi um ano excelente para mim e para o clube. Só que a pressão continua. E agora por algo ainda maior. Estamos na disputa para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Nosso objetivo é, pelo menos, ir às oitavas de final - explicou.

O sucesso do Shakhtar é temperado com sotaque brasileiro. Além de Willian, o clube tem ainda em seu elenco os meias Fernandinho, Jádson e Ilsinho (iniciou na lateral, mas na Ucrânia joga nessa função) e o atacante Luiz Adriano. A união brasuca ajudou muito no sucesso do quinteto.

- Tem sido importante demais. Sou vizinho do Jádson. Fernandinho e Ilsinho moram perto. A gente está sempre se vendo, reunindo as famílias. Temos uma amizade muito grande fora de campo. E isso rendeu frutos no campo também. O time é leve, joga com velocidade - disse.
O Corintians ainda segue no coração de Willian, mesmo com a distância. Da Ucrânia, o meia utiliza todos os recursos possíveis para acompanhar o Timão, "Sempre fico de olho. Estou sempre procurando na internet as novidades, quem chegou, quem saiu. E quando estou de férias no Brasil, vou lá visitar os amigos.
Tenho vontade de voltar um dia. Seria um prazer. Mas não agora. Tenho mais dois anos de contrato e espero continuar na Europa depois, só que em outro centro. Mas o futebol muda muito - contou.

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